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sábado, 17 de março de 2012

Como escrever um livro infantil.




Poesia ou raio X? Roger Mello e Bartô revelam o invisível

Por Paulo Werneck. Fonte: Folha

O poeta João Cabral de Melo Neto dizia que fazer poesia é "dar a ver", ou seja, nos mostrar coisas que, normalmente, não enxergamos. É o que fazem Bartolomeu Campos de Queirós e Roger Mello.
Roger nos leva a espaços que não conhecemos: um mangue, uma mina de carvão, a casa de vizinhos.
Em "Carvoeirinhos", ele conta a vida dos meninos que trabalham (!!!) em minas de carvão (!!!!!!!!).
Colorido só com preto e cinza, o livro dá a sensação de escuridão, de que estamos no fundo da mina, com os carvoeirinhos.
De repente, aparece na página um laranja fosforescente que quase dói. Esse "susto" abre os nossos olhos para a situação absurda dos meninos. Trabalho infantil é proibido por lei, mas ainda acontece no Brasil.
"Meninos do Mangue" funciona do mesmo jeito: Roger leva o leitor para dentro de um mangue, cheio de lama, caranguejos, siris, peixes, árvores, pessoas e... lixo, que ele usou nas ilustrações.
Em "Vizinho, Vizinha", que assina com as amigas Mariana Massarani e Graça Lima, podemos espiar dentro de dois apartamentos de um mesmo andar de um prédio, como se tivéssemos visão de raio X.
Já Bartolomeu queria abrir os nossos olhos para vermos o mundo de outra forma. Só que, em vez de olhar para outros lugares, como Roger, ele nos convida a olhar para dentro de nós mesmos.
Ou, na linguagem poética que é a sua marca, "contemplar com o coração o além".
Em seus livros, não há muitos diálogos. Os personagens vivem sozinhos, observando o mundo e os seres da natureza.
Eles "conversam" com a Lua, com o Sol, com os passarinhos, com uma borboleta, com o céu.
Talvez por isso, muitos livros dão a sensação de estarmos lendo um texto religioso. Em muitos deles, até aparecem figuras da Igreja, como Deus, Nossa Senhora e Sant'Ana. 


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