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quarta-feira, 7 de março de 2012

Conto: Mais uma dose - Capítulo Final





Capítulo VII

O seu quarto estava mergulhado em escuridão, a noite já havia chegado, olhou para o relógio-despertador que marcava dezoito horas e um minuto e uma dose de adrenalina invadiu seu sangue.
— Poxa vida! A Luana disse que viria agora à noite aqui! – falou com tensão na voz – Tenho que preparar a comida e tomar um banho – ergueu-se da cama.
Diogo foi logo para a cozinha, ver o que dispunha para preparar o jantar. Na geladeira tinha um frasco de azeitonas pela metade, carne moída, queijo, presunto, molho de tomate e algumas coisas mais. Considerando o sortimento de provisões resolveu preparar uma lasanha. Foi ágil em montá-la numa forma de vidro retangular, foi necessário menos de quinze minutos e colocou a lasanha nas micro-ondas. Foi para a sala e colocou no micro system  um dos seus CDs favoritos para tocar enquanto tomava banho, o disco escolhido foi “V” do “Legião Urbana”. Cantarolar no chuveiro nunca foi um divertimento para Diogo, mas sem dúvida alguma a voz de Renato Russo parecia convoca-lo a fazer um acompanhamento nas músicas. No trecho de “Metal contra as nuvens” em que dizia “Perdi meu castelo e minha princesa” os ânimos de Diogo se elevaram como os de uma criança em face de um brinquedo novo e levou sua cantoria ao volume máximo, pouco se importando do que achariam os vizinhos. Quando a terceira música do disco estava terminando já saia do banheiro de toalha e estava indo para o quarto. “A ordem dos templários”, uma música melancólica, foi a trilha sonora enquanto vestia uma calça jeans e uma camiseta do filme “Fight Club” com Tyler Durden,  o maior sarcástico que Diogo viu em um filme. Depois levou a toalha até o banheiro e a pendurou num gancho fixado na parede. Foi para a cozinha verificar se a Lasanha já estava pronta e olhando os números no contador do micro-ondas cantarolou mais “Sempre precisei de um pouco de atenção, acho que não sei quem sou, só sei do que não gosto. E deste dias tão estranhos, fica a poeira pelos cantos”. O interfone tocou bem no final do trecho que dizia “Quando me vi tendo de viver comigo apenas e com o mundo, você me veio como um sonho bom e me assustei” foi para a direção dele e atendeu.
— Pode falar – sabia que era o porteiro pela luz vermelha que se acendeu no interfone e que indicava portaria.
— Senhor Diogo, tem uma garota querendo subir ao seu apartamento, ela disse que o nome dela  é Luana. Posso dar permissão pra ela?
— Pode sim, ela é uma amiga.
— Tudo bem – antes que o porteiro desligasse o interfone disse que ela poderia subir e que o senhor Diogo a aguardava, escutar isso do outro lado da linha foi cômico. O que Luana pensou ao ver a solicitude com a qual o porteiro agia?
Diogo ficou em frente à porta, aguardando o bater pelo qual estava ansioso. Até que ouviu e abriu a porta. A música da vez era “Sereníssima”. Luana estava encantadora, usava uma saia preta rodada, um bota que ia até o seu joelho e uma camiseta cor de vinho com cobertura de veludo. Uma imagem de esplendor imortal, sua pele alva para ele era como a lua para os poetas.
— Pode entrar – fez um gesto solene indicando para ela adentrar e ficou segurando a porta enquanto cruzava a soleira.
Fechou a porta e volveu para Luana.
— Este é o meu refúgio – estendeu os braços como para um abraço.
Luana deu um giro completo observando o lugar, não com um olhar critico e sim com curiosidade.
— Lugar aconchegante – um sorriso desenhou-se em seu rosto.
— Obrigado pelo elogio, isso é o máximo que um solteiro e não perfeccionista consegue atingir em nível de organização – riu junto com ela um pouco.
— Por nada – parou um instante – Sinto cheiro de lasanha. Eu adoro.
— Ainda bem que nesse ponto acertei, temia escolher alguma comida que não fosse de se agrado.
— Ponto à seu  favor! – apontou para ele com o dedo indicador da mão esquerda – Você gosta de Legião Urbana? Eu gosto muito, só lamento nunca ter ido à um show deles.
— Realmente, igualmente fico consternado com isso – pegou as mãos dela – Por favor, venha comigo. Irei lhe conduzir até a mesa de jantar, mas feche os olhos.
— Uma surpresa para mim? Estou curiosa – fechou os olhos.
Diogo a conduziu até a sala de jantar que na verdade era um quarto vago no qual improvisou um espaço para as suas refeições quando recebesse alguma visita, algo que só estava ocorrendo agora. Sentou-a em uma cadeira.
— Não abra seus olhos ainda, tem mais uma surpresa.
Diogo pegou um isqueiro que estava em cima da mesa redonda e acendeu duas velas aromáticas. O aroma delas era de morango. No meio da mesa estava um vaso com rosas, não recordava de ter feito essa decoração, mas de alguma forma aquilo estava ali e com espontaneidade procedeu. Não se assustou com as palavras proferidas, que pareciam ter sido ditas por outra pessoa.
— Agora sim, abra os olhos.
Ela fez isto, porém lentamente.
— Tamanho esmero dedicado à mim? Assim ficarei mal-acostumada – suas bochechas coraram.
— Acredito que você mereça tudo isso. Acho que o que direi é muito clichê e piegas, mas talvez a vida seja piegas mesmo – parou para tomar fôlego - Você é o melhor acontecimento em muito tempo em minha vida. Se você fosse uma ilusão projetada pela minha ânsia de receber algum alento para a existência iria preferir morrer antes mesmo de saber a verdade, pois se descobrisse a verdade morreria de forma infinitamente cruel, morreria pela aflição, padeceria das lágrimas que quando acabasse toda a água em meu corpo seriam de sangue – tudo brotou dos seus lábios automaticamente.
— Pare com isso, assim me deixará encabulada demais.
— Okay, sem mais delírios poéticos. Vamos ao jantar, queira me conceder só um tempinho para pegar a lasanha.
— Se o sabor dela for tão bom quanto o cheiro o perdoo sim.
Diogo foi para a cozinha, pegou um saca-rolha em uma das gavetas do armário, colocou-o num bolso da calça, e uma luva para pegar na forma quente da lasanha que colocou logo não mão direita, lembrou-se de uma garrafa de vinho que estava no congelador da geladeira, pegou-a, retornou ao armário e pegou duas taças, com um pouco de cuidado segurou as taças e a garrafa na mão esquerda e pegou a forma com a lasanha com a mão direita. Voltou para a mesa de jantar e posicionou a lasanha e a garrafa de vinho no meio, ofereceu uma das taças para Luana que a colocou ao lado de seu prato e a outra colocou ao do seu próprio prato.
— A bebida de Baco – observou Luana olhando para a garrafa de vinho.
— Sim, para uma boa companhia, uma boa comida e uma boa bebida – falou enquanto abria a garrafa e enchia ambas as taças.
Depois de preenchida as taças colocou a luva que usou para não queimar a mão e o saca-rolha num banquinho que estava no canto do ambiente.
— Ah, como sou distraído. Acabei esquecendo de pegar a espátula para cortar a lasanha – disse dando um leve tapa na própria testa.
— Isso não é um grande problema – disse Luana já utilizando seu garfo e faca para cortar um pedaço da lasanha e conduzi-la ao prato.
— Então, problema da espátula solucionado. Podemos iniciar o banquete – sentou-se na cadeira e serviu-se assim como Luana.
Estavam os dois frente-a-frente. Luana provou o primeiro pedaço, Diogo ficou parado enquanto isso aguardando a expressão dela ao provar a comida.
— Huum, está muito boa. Você sabe cozinhar pelo visto... – comentou ela enquanto tomava um gole de vinho.
— Digamos que sei o suficiente para sobreviver.
— As suas habilidades de sobrevivência são melhores do que as minhas – ambos riram.
O jantar seguiu-se assim. Algumas piadas ocasionais, comentários sobre como o tempo havia mudado do nada e sobre o cenário musical atual. Quando o jantar terminou a garrafa de vinho já estava vazia, mas ainda havia uma grande parte de lasanha na forma. Luana ergueu o olhar para Diogo e naturalmente disse:
— O que faremos agora? Você tem algum filme legal?
— Pior que não aluguei nenhum filme e nem tenho filmes – responder coçando a cabeça.
— Então me mostre seu quarto, seu santuário de descanso.
— Okay, mas não é nenhum palácio.
Diogo sentia algo diferente nela, como se um novo horizonte estivesse se formando. Como se o que havia entre eles, que crescia tão rapidamente, tivesse ganhado outra nuance. Eles chegaram ao quarto, mas em seu intimo Diogo sabia que o quarto não era o que Luana queria tratar agora. Isso o deixava um pouco agitado, tudo acontecia muito rápido para que assimilasse como costumava andar na vida, lentamente. Ela mesma abriu a porta do quarto que já estava entreaberta e sentou na cama. Diogo entrou e sentou-se do lado dela.
— Estranho como as coisas entre nós andam a passos de gigante – disse ela sem virar o rosto para ele – Tenho medo do que pode acontecer indo tão rápido assim, mas também desejo essa velocidade como as águias desejam o voo. Só fico sem jeito sobre o que você pode pensar de mim, uma garota estranha que aparece em sua vida e de repente cai em seus braços como uma vagabunda.
— Se você não se sente bem indo tão rápido podemos ir mais devagar, confesso que fiquei um pouco sem ar também com tudo o que me aconteceu em somente um único dia e olhe que você não sabe nem a metade do que aconteceu. Também não pense que eu lhe considero uma vagabunda como você mesma falou, acho que somente estamos sendo sinceros demais com o que estamos sentindo e dizendo. Não que isso seja um mal, mas acho que deixar em evidência nosso coração faz isso mesmo: é como subir uma montanha muito alta. Você vai ter uma visão boa ao chegar lá, mas an... – antes de terminar seu raciocínio Luana o silenciou com um beijo.
O que se seguiu foi como uma ópera, um êxtase para ambos, uma verdadeira e legitima experiência espiritual. As roupas jaziam por todo o quarto, enquanto seus corpos faziam a dança dos amantes. Ambos sentiam a sensibilidade da pele elevada ao extremo agora, cada toque proporcionava milhares de vezes mais prazer. Ela emitiu um pequeno gemido quando ele gentilmente a penetrou, porém ela o desejava com cada partícula de seu corpo. Naquele instante ela estava se consumando como mulher, o sangue escorreu por suas pernas. Ela sentiu-se tão leve ao ponto que achou que poderia flutuar quando ele tocou seus seios e lhe beijou tão ardentemente. Ele sentiu prazer quando as unhas pretas e longas dela se cravaram rasamente em suas costas e deixou uma trilha de grande vermelhidão, alguns poucos filetes de sangue saíram da pele. No auge do sexo ela prendeu suas pernas ao redor da cintura dele e ele sentiu como se ela estivesse sugando toda a sua força vital de uma única vez, contudo esse foi um prazer tão potente que o fez desmoronar sobre ela enquanto seus corpos ainda estavam quentes. O peso do corpo de Diogo sobre o seu próprio não era um fardo para Luana, gostava do calor que trocavam. O abraçou enquanto suspirava nos ouvidos dele e o suor mantinha seu cabelo grudado ao corpo e seus seios ainda estavam super sensíveis. Quando os corpos esfriaram dormiram, Diogo a cobria com seus braços em conchinha. Depois de duas horas Diogo começou a despertar e com cuidado saiu de perto de Luana, pois não queria interromper o descanso dela. Olhou ao redor para ver onde estava sua calça, mas não a viu. Em cima do criado mudo estava uma bermuda velha, vestiu-a e foi até a janela do quarto. A chuva estava caindo lá fora, era uma chuva torrencial. O mundo parecia escorrendo junto com cada gota de água. Sua janela turvava a visão. Virou-se para Luana, coberta até a cintura pelo seu lençol rubro. Ele aproximou-se pelo lado esquerdo da cama e olhou para o rosto dela que era tão sereno agora. Era uma criatura celestial, sua pele alva era como nuvens macias, seus lábios rosados assim como seus mamilos eram hipnotizantes, fontes de inspiração para todo artista que a admirasse. Luana era um anjo que dormia em uma cama de um mortal. Ajeitou o cabelo dela que estava cobrindo a face e nesse momento escutou uma voz, era a sua própria voz, vinda do lado de fora do quarto. Achou que fosse fruto de sua imaginação, mas mesmo assim abriu a porta e nada viu, então ouviu:
— Venha até o teto do prédio, terá as suas respostas. Saiba, eu direi a verdade e nada mais.
Verificou se Luana ainda estava mesmo dormido e quando percebeu que estava em sono profundo fechou a porta do quarto e saiu de seu apartamento. O corredor estava iluminado e foi andando devagar, pois não queria chamar a atenção dos vizinhos, até a escada do lado direito que o conduziria até o teto. Essa escada não era iluminada, logo teve de tomar cuidado para não cair dela, foi andando tocando nas paredes e só avançava degrau a degrau. Ao final encontrou uma porta de metal entreaberta com um cadeado quebrado no chão. Ignorou a possibilidade de que algum ladrão ou assassino estivesse do outro lado da porta, pois que tipo de bandido pode falar dentro da mente de suas vitimas? Cruzou a soleira e os pingos da chuva começaram a golpear seu corpo, em poucos segundos já estava encharcado. Viu uma pessoa na beirada do teto, essa pessoa usava um boné preto, casaco azul, uma calça jeans e um tênis azul.
— Olá, acho que está na hora de chegar ao fim. Lamento muito que você tenha de acabar assim, seria legal se você pudesse morrer e permanecer aqui, mas é como os outros viciados já sabem “A viagem não dura para sempre” e para você meu caro a última dose foi alta demais. Deveria ter pensado antes de injetar toda aquela cocaína. Se seus pais não tivessem morrido em um acidente de carro quando você era novo demais para tocar sua própria vida, se você não tivesse sido jogado num lar para adoção onde passou por uma infância infernal com os garotos maiores batendo em você todo o dia como um rito sagrado para eles até que um gentil casal lhe adotasse porque não podiam ter filhos e mesmo lhe dando um lar nunca deram amor de verdade, se aquela sua namorada, o nome dela era Luana, não tivesse sido morta por uma bala perdida quando passeava com o cachorro dela e tantos outros infortúnios não tivessem lhe acontecido sua vida até poderia ter sido diferente. Talvez você não estivesse morrendo num beco escuro, sozinho, sendo encharcado por uma chuva. Talvez sua morte não fosse tão solitária, você está morrendo como um cachorro abandonado. Você está morrendo de uma overdose de cocaína. É triste como os humanos são tão frágeis, com alguns galhos quebrados a vida de vocês pode virar um terrível inferno. O planeta está tão cheio de pessoas indo e vindo, mas quantas pessoas param realmente para lhe escutar? Quantas querem saber o que você sente mesmo? Quantos olham para você quando passam do seu lado? Quantas podem dizer que são felizes? Quantas podem dizer ‘Eu te amo’ para alguém sem dissimularem? Como num mundo tão cheio de pessoas a solidão pode ser tão presente? Lamento pela maneira como vocês andam pela vida, reclamam sempre de tudo, vivem amores fugazes para se entorpecerem, alguns se drogam com cocaína, heroína, maconha, ecstasy, falsos amores, empregos indesejados etc só tentando preencher o vazio que sentem! Vocês tem uma vida tão longa quanto as folhas de uma árvore no outono e ainda assim desperdiçam isso com bobagens. Só estou aqui para dizer que seu fim chegou! Isso que você está vivendo é somente a sua última tentativa de ter uma vida boa, mas não passa de uma ilusão forjada por um cérebro em que a quantidade de oxigênio está saindo. Isso é só como a sua vida poderia ter sido, você está agonizando em seus últimos instantes de farsa induzido pela droga que ainda circula em seu sangue. Estou vindo aqui para me despedir Diogo.
Ele escutou tudo isso calado, ouvir sua própria voz vinda daquele sujeito o fazia manter a boca fechada e só conseguiu falar algo quando ele parou.
— Isto é uma ilusão?! Não! É mentira! Você deve ser algum louco que anda bisbilhotando minha vida! Não! Isso é mentira! – colocou ambas as mãos na cabeça, sentia uma dor imensa.
— Não adianta negar Diogo. O que falei é verdade, se fosse você aproveitaria esses últimos instantes de ilusão porque a escuridão se aproxima e ela vai lhe agarrar por mais que você tente correr. Acredite, ela vai lhe alcançar – Diogo levantou a cabeça, que ainda doía, e viu que do horizonte uma mancha negra começava a vir. Parecia uma mancha de petróleo.
— Quem é você?! Me diga! – a sua cabeça doía mais a cada segundo.
Virando e revelando seu rosto o sujeito misterioso disse:
— Eu sou sua consciência Diogo – o rosto do misterioso era o do próprio Diogo -  Eu sou aquela parte de você que deveria ter agido mais, infelizmente fracassei no que deveria ser minha tarefa, mas agora é tarde demais. Eu até tentei lhe proporcionar alguns instantes finais de prazer, mas você teimava em fugir do que preparei para você, sempre estava conseguindo ver mais do que deveria. Assim como a maioria dos humanos você irá morrer agonizando, tentando puxar mais ar, mas ele não irá chegar e você irá apagando até que dará seu último suspiro e talvez alguma palavra. Mas para quem você irá falar num beco sozinho? Para ninguém! Quem lamentará sua morte? Ninguém! Talvez algum cachorro de rua com muita fome possa enfim se alimentar com a sua carne. Adeus! – A mancha negra o cobriu e ele desapareceu, assim como as coisas perto dele.
Diogo se levantou rapidamente e sem qualquer precaução desceu as escadas correndo, com a cabeça ainda doendo, as paredes do corredor agora eram cobertas por um papel de parede que estava descascando e as portas dos apartamentos eram de uma madeira velha que exalava cheiro de mofo. Abriu a porta de seu apartamento. O lugar estava todo vazio, correu até o seu quarto e lá só havia a cama e Luana ainda deitada. Segurou pelos ombros e virou-a para si, ela abriu os olhos e antes de qualquer palavra ser dita e quando a escuridão estava a poucos centímetros de envolvê-lo aconteceu um último beijo. Ele chorou enquanto a massa escura e fria lhe agarrava, tentou puxar o ar e não conseguiu. Ainda sim estava feliz, pois a última coisa que sentiu ou imaginou sentir foram os lábios dela e o amor que algum dia sentiu e que talvez lhe tivesse salvado disso tudo.
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Em um beco escuro da cidade estava o corpo de Diogo, com um boné, um casaco e uma calça, completamente encharcado pela chuva, com uma seringa ainda presa no braço esquerdo. Sua boca estava aberta e os olhos sem vida miravam o céu. Caso alguém com um microscópio analisa-se seus glóbulos oculares veria uma estranha imagem neles, veria o rosto de uma garota.
FIM
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