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quinta-feira, 10 de maio de 2012

A prepotência de um colunista: os 10 livros mais lidos do mundo.




O que vocês lerão abaixo é a íntegra de um artigo publicado pelo jornalista André Forastieri. no site da  Record (R7). Esse artigo é baseado em uma lista com os 10 livros mais lidos no mundo desde a década de 1950. Era para ser um artigo interessante, comentado pelo autor com base em sua opinião sobre os livros ou, no máximo, com informações de quem os leu, seja crítico ou não. Infelizmente, o que me deparei foi com um texto escrito pelo suposto dono da verdade, movido por um rancor literário gigantesco. Embasado ou não, o descaso dele por algumas das obras citadas é extremamente deselegante, para não chamar de preconceituoso. 
Agora publico o artigo para que tirem suas próprias conclusões. Após o término das palavras de Forastieri, farei as minhas observações sobre os livros, porém antecipo que o colunista esqueceu que, bom ou ruim, clássico ou não, o papel principal de um bom livro é levar à leitura de outro.

Você vê a lista de dez livros bestseller da semana e se sente na obrigação de ler? A lista das dez canções que estão bombando, e acha que devia ouvir? As maiores bilheterias do momento te fazem correr para o cinema?
Como reagir, então, à lista dos dez livros mais vendidos? Do planeta? Nas últimas cinco décadas? Eu não li todos. Desconfio que pouquíssima gente leu todos. Você pode encontrar a lista original aqui.
Eu li a Bíblia, primeiríssimo lugar, 3.9 bilhões de exemplares vendidos! Foi entre a quarta e a sexta série, quando eu ainda ia na missa. Pulei uns pedaços. Mas alguns trechos reli várias vezes, da última vez já no século 21. Uns pelos outros, considero que li inteira.
É um livro longo, escrito por muitas pessoas diferentes, em um período de centenas de anos, e editado durante outro longo tempo por outras tantas pessoas. A versão definitiva ou quase é de 393 D.C., em grego, resultado do Sínodo de Hipona, África, Agostinho presente. Deu origem à posterior Vulgata, primeira Bíblia em latim, ainda a versão usada pela Igreja Católica, com uns aparinhos. Pouco menos de um terço dos seres humanos vivos acreditam que a Bíblia tem inspiração divina.
Li o Livro Vermelho de Mao-Tsé-Tung, um segundo lugar distante, 820 milhões de exemplares. Incrivelmente, ele teve status quase divino enquanto reinou na China vermelha. Li na faculdade, e reli depois comparando com uma coletânea de ensinamentos de Confúcio. Pensando bem, vale outra releitura:  deve ser bem útil para entender a China moderna, o que todo mundo deveria tentar.
Harry Potter, fucei as primeiras 40 ou 50 páginas do primeiro livro. Deu para entender o apelo daquele primeiro estouro. Não deu para entender o tamanho ou permanência do sucesso: 400 milhões de exemplares vendidos (a série toda). O Senhor dos Anéis, para surpresa dos amigos, só encarei o primeiro trecho de O Retorno do Rei, o último da trilogia, edição porcalhona da Artenova, aos 17 anos. Não entendi nada e nunca me ocorreu ler a série completa.
O Alquimista (enfim, o Brasil chega ao pódio!) eu li ano passado. Foi o primeiro Paulo Coelho que terminei. É uma fábula, e se insere organicamente numa longa tradição, que vem de tempos ágrafos. Está no território das Mil e Uma Noites, de Jorge Luiz Borges e das historinhas que todo pai inventou para ninar seu filho. Por isso, não adianta se encher de orgulho nacionalista: O Alquimista não é brasileiro, é universal.
O Código Da Vinci detonei do começo ao fim em uma tarde. Parece um filme de Hollywood, ou seja, previsibilíssimo. Eu já sabia um monte de coisas sobre a lenda da linha sanguínea de Cristo, Templários, Sang Real etc., então as grandes surpresas não me surpreenderam em nada, e adivinhei quem era o vilão na página que ele apareceu.
A Saga Crepúsculo, bem, não sou menina e não tenho 12 anos, reais ou imaginários. E o Vento Levou, visto o filme, o que resta? Melhor que Clark Gable e Vivian Leigh, não será. Think and Grow Rich, de Napoleon Hill, eu nunca ouvi falar! Soa autoajuda pra americano. Quem pensa, não tem tempo para ficar rico... vou dispensar.
Finalmente, O Diário de Anne Frank: penso ter lido, mas só lembro das desgraças, e nada da história. Vi o filme? Tenho a sensação horrível de claustrofobia, Anne e a família se escondendo dos nazistas no sótão. É história real do começo ao fim, com pouco ou nenhum espaço para interpretação ou fantasia, e dolorosamente real. Felizmente esqueci todos os detalhes.
Leio dois, três livros por mês, fora as coisas de trabalho. É pouquíssimo perto do que já foi. É o que a vida e as prioridades permitem. Se cabeça e olhos permitirem, me resta tempo para ler mais uns mil livros nos próximos quarenta anos (não morro antes dos 87!). A perspectiva já me intimidou; seleção rigorosa parecia obrigatória. Logo relaxei e voltei a ler por prazer. Voltei a frequentar sebos. Leio livre. Ignoro canônes, buchichos, listas dos mais vendidos. É um dos meus maiores prazeres.
Temo por um futuro sem livros. Ou mesmo um futuro em que eles sejam pouco importantes. As novíssimas gerações não parecem ter paciência para atravessar centenas de páginas sem botões para premer, em especial os meninos. Bem, os livros chegaram às massas a menos de cem anos; a maioria das pessoas continua passando bem sem eles.
Meus poderes proféticos não são capazes de delinear um mundo em que livros serão só peças de colecionador. Mas minha bola de cristal garante: daqui a um século, no início do século 22, destes dez, só um continuará sendo lido e continuará influente. E você não precisa acreditar em Deus para acreditar em mim.

Concordam com o colunista? Bem, em muitos pontos eu discordo ou tenho algo a acrescentar ou excluir. Eis a minha visão sobre a lista (já

A Bíblia é um verdadeiro manual de comportamento. Contudo, a compilação do Velho e do Novo Testamento acabam por se contradizer. Um prega o rigor ao punir, ao passo que o outro livro prega o amor ao pecador. Há explicações para estas divergências (principalmente por se tratar do mesmo Deus), mas o que mais me preocupa é a atribuição de "verdade absoluta e incorrigível" que o livro ganhou. Caso você seja cristão, certamente irá afirmar que a Bíblia É a palavra de Deus e, por fim, você está certo. Entretanto, é preciso que saiba que o fato de estar correto sobre o que acredita ser a Bíblia não implica em dizer que os que cultuam outros livros (livro de Buda, o livro dos espíritos, o Talmude, etc) estejam errando. 
Tenha sua crença e não "crucifique" as outras. Cada uma das religiões - e suas leis - tem um papel especial no plano de Deus.
Não li o Livro Vermelho de Mao Tsé, mas concordo com sua importância para ajudar a  compreender a atual China, ainda que ele não seja uma referência única.
A série sobre o bruxo Harry Potter foi abordada pelo jornalista com base em 50 páginas lidas. Não vou sequer discutir com alguém que critica tendo por base "impressões". A saga do bruxo que cresceu junto com seus fãs foi muito bem estruturada, mas tem suas lacunas, o que não tira o brilho e a importância de livros que influenciaram uma geração a gostar de leitura. 
A trilogia Senhor dos Anéis foi outra crítica que me surpreendeu pelo vazio de conteúdo. O carinha pega o último livro, lê uma meia dúzia de páginas e espera compreender algo. Como diria o Capitão Nascimento: "O senhor é um brincalhão".
André critíca O Alquimista dizendo tratar-se de literatura universal, não uma produção brasileira. Usar referências não tira o mérito de quem produziu a história ou a parábola. O que dizer então de Drácula, baseado na vida de Vlad Tepes e também em mitos de várias partes do mundo sobre o vampiro? O uso desta mitologia universal tira o mérito de seu autor, Bram Stoker? 
O Código da Vinci teve uma das análises mais engraçadas que já li. Forastieri afirma que o livro é previsível e que ao usar de informações acessíveis, acabou perdendo muito de sua graça. Eu acredito que, mesmo com informações já divulgadas, o grande público não sabia nada sobre estas curiosidades. O livro foi bem elaboradao e tem como principal mérito o incentivo ao estudo de História da Arte e o aumento das visitas e pesquisas sobre os pontos turísticos citados.
Crepúsculo é algo que também não vou comentar, uma vez que não li os livros -  porr ser realmente uma literatura mais voltada ao público adolescente - e não me interesso pela abordagem da autora sobre os vampiros. Mas volto a frisar que ela atingiu seus objetivos ao vender excepcionalmente e ao estimular a leitura e a imaginação de jovens leitores.
Quanto ao livro E o vento levou, outro que não li, mas vi o filme, fico ainda com a máxima de que dificilmente um filme irá superar o livro em que foi inspirado.
Think and grow rich é algo que parece realmente ser de auto-ajuda. 
Finalizando as comparações, o jornalista disserta sobre O Diário de Anne Frank que é um livro realmente difícil de ser lido, não em função do que está escrito, mas por aquilo que é revelado: a maldade do ser humano em toda a sua essência.
Mas o texto dele tem um ponto muito importante, onde Forastieri enfatiza que a leitura deve vir do prazer, da vontade de ler. Leituras obrigatórias, movidas por "listas" e determinações, acabam se tornando enfadonhas, chatas. Um livro deve gerar prazer e cultura, nunca tédio.
Quanto à permanência da Bíblia na relação do século vindouro, isto é algo previsível em um mundo com maioria cristã. Mas alguém esqueceu de citar que o Islamismo é a religião que mais cresce no mundo...
Porém tenho que admitir uma coisa: André Forastieri estimulou a leitura e provocou a polêmica, atingindo o objetivo que ele queria.
Franz Lima
 


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10 comentários:

  1. Também considero a parte sobre o prazer e a liberdade de ler um dos melhores trechos. A verdade é que eu não vi essa prepotência toda, vi precariedade no juízo crítico. Acho até que ele foi sincero. Ele não fez média ou disse que leu o que não leu. Preconceito há mesmo, mas preconceito (infelizmente) todos temos. A questão é que temos ser conscientes para combatê-lo em nós mesmos.

    Preconceito é uma ideia mal formada a respeito de alguma coisa (deriva da ignorância), ou então a consideração excessiva de um aspecto, valorizando ou desvalorizando um todo em função de uma parte (tem muito a ver com injustiça). Ou uma combinação das duas.

    Por exemplo, por mais que ele deteste "Crepúsculo" ou julgue apenas pelo título "Think and Grow Rich", populares ou não, eles devem ter algum valor; podem não ter para ele, mas sem ler, esse julgamento será temerário. Dizer que ele não é menina e não tem doze anos é desprezar o livro e seus leitores, sendo que ele nem leu o livro para poder dizer isso. Ele ignora e por isso julga mal.

    E assim se vê claramente em "O Senhor dos Anéis" e "Harry Potter", onde ele julga o todo pela parte. É a mesma coisa que dizer que um estrangeiro não tem valor porque é estrangeiro, desconsiderando todos os outros aspectos de sua pessoa.

    Quanto a "Diário de Anne Frank" que infelizmente não li, tenho opinião totalmente diferente de Forastieri, e muito próxima à de Kafka: "Um livro deve ser o machado que quebra o mar gelado em nós." Aliás, ver o horror da guerra é ver o horror em nós mesmos, aquilo que somos e aquilo que somos capazes.

    Também não sei se o papel principal de um bom livro seja levar a leitura de outros. Talvez seja a leitura e a releitura de si próprio e do mundo. Sempre penso que o livro pode ser um meio e pode ser um fim. O que fazer dele é uma questão de cada um.

    Quanto à parte final, também discordo, ainda acredito que um bom número desses continuará influente. Ele não esconde sua devoção pessoal pela Bíblia; realmente, é um livro importante, influente, resistiu aos séculos, assim como outros livros dogmáticos de outras religiões; mas isso não o autoriza a pensar que os outros não vão resistir, ainda mais com tanto desconhecimento sobre os próprios.

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    1. Excelente análise onde você mostra embasamento para falar, Edu. Mas vou fazer algumas observações sobre seu comentário:
      a) o estilo de comentário que o André usou, ácido, não é próprio para uma análise de obras literárias. Quem quer ter credibilidade ao falar sobre um assunto, evidenciando que não o domina? Na minha opinião, ele apenas quer deixar claro ao leitor que é um indivíduo polêmico, pois acredito que um jornalista tenha conhecimento da influência de obras do porte de "O Senhor dos Anéis" e "Harry Potter". Ao desprezar a leitura de tais livros, ele provocará reações favoráveis ou não, mas em sua maioria movidas pelo sentimento e, ao final, atingirá seu objetivo.
      b)Anne Frank é um livro que está eternizado em função deste realismo, da sensação de impotência que todos temos quando o assunto é holocausto. Chocante? Sim, porém esse tipo de impacto é necessário para manter a memória ativa quando os assuntos são preconceito e poder.
      c)Quando lemos uma boa obra literária - e dela colhemos frutos -, uma das principais sequelas desta leitura é a vontade em buscar algo tão bom quanto. Um ótimo livro deixará, logicamente, marcas em nossa mente e comportamento, irá nos modificar e, ainda, manter aceso o desejo por novas leituras.
      d) Livros de grande importância para a humanidade, não só a Bíblia, permanecerão incólumes ao tempo. Poe, Lovecraft, Kafka, Machado de Assis, Gabriel Garcia Marquez, Stoker, George R. R. Martin, Tolkien e muitos outros autores estão marcados na história da humanidade e, por tal, já tem seu lugar garantido na eternidade.

      Obrigado pelo comentário...

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  2. Consertando o trecho final: "desconhecimento sobre os mesmos".

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  3. Apenas para complementar (não estou retrucando, até em muitos pontos concordo com você):

    a) Não desaprovo o estilo ácido, não sei habitualmente como ele escreve, se ele escreve assim, então o estilo é ele mesmo, não posso condená-lo... Aliás, por ter lido Swift e Ubaldo, sempre prezei a acidez, a ironia, a contundência. Por isso mesmo não acho inapropriado o estilo ácido para analisar livros, mais inapropriado é gabar-se de não tê-los lido...

    Concordo, pode ter sido a intenção dele provocar polêmica, mas considero realmente estranho alguém jactar-se de sua própria ignorância. Ao ler suas palavras então imaginei que ele pretenda ganhar pontos com a bancada religiosa e se candidatar a algum cargo nas próximas eleições... Porque no próprio meio literário, francamente... Está me forçando a declarar saudades de Sílvio Romero e Paulo Francis...

    b) Quanto ao "Diário de Anne Frank", concordo, não posso dizer sobre o livro em si, mas sobre o que ele representa. Dificilmente será esquecido. Só que o próprio colunista nos dá um exemplo lamentável de como pode ser conveniente esquecê-lo. Além disso, a Europa atual mostra uma inclinação politicamente sombria que lembra muito os anos 1930. E guerras como a da Iugoslávia mostraram como é possível repetir a barbárie, apesar da memória ainda fresca sobre o holocausto. É o tipo de livro que eu prefiro, aliás, lamento muito não tê-lo lido, mas há aqueles que realmente vão preferir jogá-lo no limbo, esquecê-lo, preferir leituras mais amenas, um mundo cor-de-rosa.

    c) Pelas suas palavras, talvez estejamos falando do efeito principal (ou mais recorrente), e não do papel (finalidade) principal. Para ilustrar a variedade de funções que um livro pode ter, é significativo que o primeiro deles, a Bíblia, justamente tenha para muitos a feição de esgotar-se em si mesmo. Para os religiosos fundamentalistas, basta a Bíblia. Não estou dizendo que isso seja certo ou errado, é apenas para ilustrar como um livro pode ter mil e uma utilidades...

    d) É bom lembrar que Archibald Cronin, Eugène Sue e Karl May foram muito populares em suas épocas, e hoje pouca gente se lembra deles; por outro lado, mesmo esquecidos, há ainda quem se lembre deles :) Estão eternizados, mas espero que nenhum doido apareça com o intuito de queimar ou deletar os exemplares que restam...

    E eu nem comentei o caso de "O Alquimista". Esse livro não é universal por causa da história. É universal porque a arte é universal. Os livros podem retratar uma realidade local, mas não confundir isso com ufanismo tolo. Então a parte que eu discordo é "enfim, o Brasil chega ao pódio!" O valor de Paulo Coelho não está no fato de ser brasileiro, mas se ele é ou não um bom escritor. Não é um erro apenas dele, isso é um preconceito até comum, assim como até mais comum é menosprezá-lo por ser brasileiro. Isso não tem nada a ver.

    Se o texto do Forastieri não era tão bom, ao menos teve o mérito de provocar todas essas ideias...

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    1. Brother, após esse nosso acalorado e muito bem estruturado debate, tenho que agradecer ao Forastieri por fornecer motivos para essa profusão de idéias. Obrigado pela sinceridade no comentário.
      Abração.
      Franz.

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  4. A biblia li em partes, e do restante li: Harry Potter, Senhor dos Aneis, O Alquimista, Crepúsculo e O Codigo da Vinci. O resto n conheço, mas devem ser bons pra estarem no rank!

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    1. Crepúsculo - a saga - não li ainda e, provavelmente, não lerei... não em função de preconceito (apesar de desaprovar a abordagem), mas por existir muitas outras obras que considero muito mais importantes e prioritárias para ler.
      Valeu pelo comentário, Priscilla. Sucesso a você e ao Ed no www.policialdabiblioteca.blogspot.com.br

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  5. Não entendi... O cara ataca fervorosamente os best sellers mas compara Paulo Coelho com Jorge Luiz Borges? Achou o código da Vinci previsível mas leu de uma sentada só? Leu as primeiras páginas de Harry Potter, desistiu e formou uma opinião dos outros 6 livros baseada nas primeiras 50 páginas do primeiro livro? E ainda quer que alguém o leve a sério? (acho que não).

    Mas falando sério... Faço o penúltimo ano do curso de Letras na UEG (Universidade Estadual de Goiás) e infelizmente tenho que encarar a realidade. Estamos cercados por pseudo-intelectuais que se acham melhores ou mais importantes que os outros só porque resumem seus mundinhos intelectuais a canones literários (cheguei ao absurdo de ver escrito no quadro, no meu primeiro dia de aula: "Harry Potter não é literatura" ¬¬). Não retiro a importância dos "grandes" da literatura, afinal meus escritores favoritos estão lá (García Márquez ocupando o primeiro lugar). Mas isso não me impede de relegar a devida importância que os Best Sellers tiveram e tem em minha vida, como leitor, acadêmico e futuro professor. Aprendi a ler lendo Quadrinhos e me envolvi com o mundo da literatura através da coleção vaga-lume e dos livros do Paulo Coelho e não me envergonho de falar isso (apesar de hoje em dia não ver muita graça nos livros dele, por motivos que explicarei a seguir). Tudo é questão de maturidade. A parcela maior da população mundial é de jovens abaixo de 25 anos, pessoas que, de uma maneira bem generalizada, (é claro que há as exceções) ainda não tem maturidade suficiente para apreciarem os ditos clássicos (eu fui aprender a ler Machado de Assis com 26). Talvez por isso as listas dos livros mais lidos esteja permeada de Best Sellers. Ou talvez porque eles (os best sellers) simplesmente tenham outros atrativos que vão além da mera diversão de final de semana. Atrativos que os pseudo-intelectualizados, com sua visão ironicamente limitada de literatura, não conseguem enxergar.

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  6. Só para completar, de todos os livros citados os únicos que não li foram: "O Diário de Anne Frank" e "O Livro Vermelho". O primeiro, porque ainda não tive oportunidade, mas consta na minha fila de leitura há algum tempo. O segundo pelo seu teor politizado. Apesar de saber que a humanidade gira em torno da política (no sentido social do termo e não no restrito) e que precisa dela para sobreviver, não gosto muito de me envolver com política (na verdade, apesar de ser um humano bem sociável, no fundo eu gostaria de morar no meio do mato e plantar minha própria comida rs). Já Crepúsculo é um caso a parte. Comprei toda a coleção e li apenas os dois primeiros livros. Parei porque achei não só rasa. Há muitas histórias simplistas por ai que, apesar do conteúdo bastante vago, são muito bem contadas, e isso acaba como que "corrigindo" o primeiro defeito, e quando você menos se da conta já está terminando o livro e querendo mais. Infelizmente essa saga não me trouxe esse tipo de sensação. Mayer não tem o "timing" necessário para uma história, na minha opinião, bem contada. Como leitor, senti que estava tendo minha inteligência subjugada, quando vi mais de 400 páginas do segundo volume serem reduzidas a um chorôrô interminável da Bella pela falta do Eduard.

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    1. Livros, bons ou ruins, cumprem com seus papéis ao incentivarem o custume da leitura. Gostei do seu apoio aos quadrinhos, já que eles são um grande começo para a leitura de obras mais complexas - mas é bom relembrar que há HQ de grande complexidade - ou mais simples. É fato que a leiutra no Brasil está se ampliando, principalmente com o auxílio de blogs e sites que incentivam este hábito salutar.
      A exposição do André foi muito infeliz. Tentei ser o mais brando possível em meus comentários, porém há pouco o que se fazer diante da prepotência e da arrogância.
      Parabéns pelo ótimo comentário, Edilton. Nos vemos no www.stephenking.com.br

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