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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Review do filme "Tron, o legado".




Por Franz Lima
Tron - O legado (2010) é a continuação de Tron - Uma odisséia eletrônica (1982). Esta continuidade foi feita pelos estúdios Disney e recebeu ótimas críticas por parte do público e uma acolhida não tão calorosa por parte da crítica.
A trama em si é um misto do primeiro filme - onde se pressupõe que o espectador saiba o que ocorreu - e do novo, pois ele inicia com a inclusão de Kevin Flynn no universo digital, fato que gerou o abandono de seu filho e o isolamento de Flynn por trinta anos no mundo paralelo em que se desenvolve boa parte da história.
Sem o pai, Sam Flynn cresce à sombra do sucesso do pai, sendo cotado inclusive para ser o sucessor de Kevin na Encom, a empresa que virou sucesso graças ao pai de Sam.
Não há muita profundidade nos personagens de Tron. Por mais que o roteiro se passe no mundo virtual, Sam e Flynn deveriam ter sido abordados - na minha opinião - de forma mais profunda, evidenciando os estragos, os prejuízos que o crescimento sem pai trouxeram a Sam, além do isolamento forçado a que Flynn, o pai, se sujeitou (não há como um pai não enlouquecer - figurativamente - ao rever um filho após tanto tempo). Mas também seria muita ingenuidade da minha parte aguardar por algo do gênero em uma produção que busca o lucro por meio da ação e da tecnologia presentes no filme.


Os acertos...

A escolha de Jeff Bridges para continuar o papel que foi seu no primeiro Tron, foi muito acertada. Ainda que muito mais velho, Jeff mantém o ímpeto do primeiro e a alegria do velho homem que recebe uma justa homenagem ao ser mantido em uma produção deste porte. Interpretando Kevin e CLU ao mesmo tempo, o ator mostrou que o seu já elogiado talento é realmente notável.
As homenagens ao primeiro filme, a citação ao sucesso - através dos pôsteres, cartazes e brinquedos, além do game - também mostrou-se muito inteligente. 
Um outro ponto positivo está na participação do elenco mais jovem,  representado por Olivia Wilde (Quorra) e Garrett Hedlund (Sam), cujos papéis são fundamentais na trama.
A participação do grupo Daft Punk ficou fantástica, inclusive mostrando-os como indivíduos que não dão a miníma para o que ocorre ao seu redor. Eles querem é produzir música, nada mais.
A ambientação do filme está muito fiel ao original, guardadas as devidas proporções, e há uma melhor explicação para o que ocorreu a Kevin, incluindo o destino de Tron e a mudança comportamental de CLU.

Os erros...

Não é questão de classificar como erros. O que seria certo dizer era "o que incomodou". Bem, eis os pontos mais fracos do filme:
A falta de aprofundamento que citei mais acima não é fruto da atuação de Jeff, Garrett ou Olivia mas de uma direção e roteiro que não privilegiaram esta abordagem mais íntima e psicológica em detrimento da ação e dos efeitos especiais.
Apesar do apuro nos efeitos especiais (em geral magníficos), as cenas em que Kevin aparece jovem ou CLU é mostrado - em algumas ocasiões - não correspondem às expectativas, pois é perceptível o rosto digitalizado. Reitero que são poucas vezes e, felizmente, não comprometem o andamento do filme.

Para maiores informações sobre as técnicas e a tecnologia empregadas na construção das faces digitais, leia os artigos abaixo:


Notas finais...

O filme cumpre com o que se propõe: entretenimento, diversão e ficção científica. Ainda que não seja uma obra-prima do cinema, Tron - o Legado, surpreende positivamente com cenas muito bem preparadas, um elenco coeso e um roteiro que incorpora homenagem e ação em um mesmo bloco. Pena não termos visto algo mais voltado à reflexão, pois este é o potencial de um filme como Tron: questionar o uso da tecnologia e do nosso envolvimento com ela. A parábola do homem preso à tecnologia não foi aplicada ao filme à toa, acreditem...

Pôster de 2010

Pôster de 1982

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