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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Andy Goldstein e sua visão da pobreza na América Latina







O fotógrafo argentino Andy Goldstein percorreu 14 países da América Latina para retratar a vida dos pobres na região. A imagem mostra Pedro, cerca de 40 anos, em Buenos Aires. “Fui buscar meu filho mais novo para a foto, mas ele estava dormindo, então trouxe o filho da minha vizinha”, disse, ao posar para a foto. 

A doméstica Débora de Jesus da Silva, moradora de São Paulo, tem 28 anos e está desempregada. Na foto, ela aparece com os filhos. O menor tinha um ano e 11 meses à época da foto. A maior, nove. Segundo Goldstein, ao ver as fotos de diferentes locais no continente, é quase impossível saber onde foram tiradas. “A pobreza é uma só.” 

A série, intitulada "Vivir en la Tierra" (Viver na Terra), reúne 67 fotografias que sintetizam a realidade das mais de 174 milhões de pessoas que, segundo a Cepal, vivem em condições de extrema pobreza e exclusão social no continente. Uma delas é a dona de casa Patricia Vega, 35 anos, moradora de Las Lomas, em Santiago do Chile, fotografada com os três filhos e o cão, León


A imagem mostra um vendedor ambulante colombiano e seus quatro filhos. O homem, 42 anos, apresentou-se apenas como "Efraín" e não quis dar seu nome verdadeiro. Ele disse estar ameaçado de morte pelos cartéis de drogas da Colômbia por negar-se a colaborar.


Em La Carpio, na Costa Rica, Goldstein encontrou Josefa Amalia Torre Chavarría, uma imigrante nicaraguense de 78 anos. Ela diz que sobrevive com a ajuda de seus três filhos. "Essa revolução (sandinista) nos tirou de nosso país", disse. "Tínhamos tudo, e até a casinha desapareceu"


Carmen Lucrecia Yunga posou para a foto em Cuenca, no Equador, apenas 12 dias após dar à luz Manuel. Ela ficou na cama por 40 dias, alimentando-se apenas com caldo de galinha caipira, como é o costume dos camponeses da região


Esta imagem foi feita em La Cuchilla, em El Salvador. O fotógrafo diz que o projeto atual foi inspirado em uma série anterior, de 1985, intitulada "Gente en su Casa"


Goldstein conta que criou uma série de regras para ajudar seus modelos a "assumir a importância do ato de posar": convidou-os a "posar para um livro de fotos" e deixou que escolhessem onde, como e quando. Ao fotógrafo coube escolher o ponto de vista, "o que me permitiu mostrar o contexto", diz. Esta foto foi feita em Los Limones, na Guatemala


O projeto exigiu dois anos de trabalho de campo, com apoio financeiro da Fundação Ford e acesso a assentamentos onde a Fundação Un Techo para mi País realiza trabalho humanitário. Entre eles o de Canaan, no Haiti, onde a vendedora Marie Erline Louis, de 18 anos, vive com seu filho, Frederic Fredelanole, desde que um terremoto devastou o país, em janeiro de 2010


O assentamento Mirador, em Honduras, é lar para o segurança desempregado Juan Andrés Matamoros Girón, sua mulher, Santos Belarmina Rosales, que é faxineira em um hospital, e os filhos do casal


O bairro de San Juan Tapecoculco, no México, foi o cenário escolhido para retratar a dona de casa Yesenia Campos Arenas e o auxiliar de construção e mecânica Tanislao Flores Moisen. "Gosto de colecionar bonecos. Meus favoritos são os Teletubbies. Coloco em cima da TV, onde as crianças não podem alcançar", diz o homem


José Natanael, 18 anos, cuida dos irmãos, Ferdi, Oscar e Misael, enquanto seu pai trabalha em uma construção e sua mãe lava roupas. A família vive na capital da Nicarágua, Manágua


A dona de casa Lima Morales Espinoza e o marido, Juan Carlos Cárcamo Briceño, empregado da indústria têxtil, mandam a filha estudar. Harumi está no quarto ano do ensino primário e também aprende inglês. A família vive em El Arenal, um assentamento precário na capital do Peru, Lima


O agricultor Papai, 81 anos, vive na República Dominicana com a ajuda dos filhos, que lhe dão comida e remédios. "Tenho que colocar latas para colher as goteiras", reclama. O fotógrafo Goldstein diz que uma das conclusões do projeto é que "a profunda injustiça que as imagens evidenciam mancha as sociedades que permitem que isso ocorra"

Franz says: a pobreza é universal. Pessoas que vivem na linha de miséria são iguais, não importa se estão nos EUA, Brasil, China, França, Índia ou qualquer outro país do mundo. É um nivelamento injusto e cruel onde, inevitavelmente, as pessoas chegam ao verdadeiro "Apogeu do Abismo", esquecidas e tratadas como material não-reciclável.
Esta dura realidade, brilhantemente exposta neste ensaio de Andy Goldstein, relembra com maestria o quanto é forte a desigualdade, algo que deveria ser extinto das vidas das pessoas. O recado foi dado: a pobreza é uma verdade mundial e não depende do país em que se vive. Há ricos e pobres em todos os territórios do globo, mas é primordial que enfatizemos o combate à miséria e à desigualdade social.


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6 comentários:

  1. Triste, mas um excelente trabalho. Infelizmente ainda nos deixamos levar pelo "Eu quero, Eu preciso, Eu tenho direitos". No dia que deixarmos o EU de lado e passarmos ao Nós, as coisas mudarão.

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    1. Que suas palavras sejam ouvidas... principalmente pelos que têm o poder em suas mãos.
      Apesar de utópico, chegará o dia em que as barreiras e injustiças serão quebradas.
      <o

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    2. A Justiça Divina vem no momento exato.

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  2. Importante registro. Somos bombardeados por anúncios disso ou daquilo, toda essa propaganda política que só busca resolver o problema de políticos e marqueteiros, mil e uma celebridades que estamos cansados de ver, e os jornais não deixam de ter suas colunas sociais. Quando muito, aos pobres sobram as páginas policiais. Mas a importância de cada um é astronômica.

    Pelas fotos vemos a pobreza material mas também podemos deduzir a riqueza moral deles, em contraponto à pobreza moral da nossa sociedade. Pois são essas pessoas que contribuem para a riqueza de uma minoria privilegiada, que sustentam o Estado e a sociedade que os coloca à margem, e cuja existência é sobreviver e não viver. É justo isso?

    "It is unjust that the whole of society should contribute towards an expence of which the benefit is confined to a part of the society." Adam Smith

    Cito aqui passagens da importante reflexão do começo de semana da articulista Suely Caldas, no caderno Economia do Estadão:

    http://arquivoetc.blogspot.com.br/2012/08/o-abismo-entre-ricos-e-pobres-suely.html

    "O Brasil é o quarto país da América Latina que pior distribui sua renda. Dos 18 vizinhos do continente, só perde para Guatemala, Honduras e Colômbia quando é medido o abismo entre ricos e pobres, constata pesquisa da ONU divulgada na terça-feira."

    "Segundo pesquisa da Fiesp baseada em números da Receita Federal, as famílias pobres que vivem com até dois salários mínimos comprometem 48,9% de sua renda em pagamento de impostos, quase o dobro dos 26,3% pagos pelas famílias com renda acima de R$ 20mil."

    "Enquanto os governos não derem uma guinada na estrutura jurídica voltada para o social e seguirem privilegiando quem não precisa, o Brasil pode produzir e acumular riqueza, mas vai continuar ocupando o vergonhoso 4.º lugar entre os piores na partilha da renda."

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    1. Uma das mais tristes notícias não é a pobreza em si, mas os responsáveis pela maximização dela. Dinheiro público destinado à saúde sendo desviado é, no mínimo, algo revoltante. É essa ganância descabida, esse desprezo pelo próximo que faz com que a cada novo dia acreditemos menos no ser humano, na dita Criatura de Deus.
      Como é possível ter poder, acesso ao dinheiro e aos benefícios que eles podem trazer e, mesmo assim, permanecer estático diante do sofrimento alheio? Não sei responder. Dizem que o poder e o dinheiro corrompem. Há os que afirmam categoricamente que é inviável ter dinheiro e caráter. Sinto pena deles. Tenho muita tristeza em olhar para alguém assim, incapaz de sentir compaixão, incapaz de ajudar a diminuir um pouco a angústia dos excluídos.
      Utopia ou não, ainda creio que chegará o dia em que estas imagens terão o mesmo peso das que são expostas até hoje sobre os Campos de Concentração. Afinal, o que é a pobreza extrema senão isso? Um lugar onde homens, mulheres e crianças são colocados para definhar, sofrer e, por mais doloroso que possa parecer, ter esperança.

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