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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Quando o tempo clama por nossos heróis.




Quando o tempo clama por nossos heróis.
Por Franz Lima
 
Não sei como vocês são, suas idades ou o que curtem (exceto as leituras do Apogeu), mas creio que a maioria tem a faixa etária abaixo da minha (estou com 41 anos). Também não sei explicar o que anda passando por minha mente, pois tenho tido uma sensação constante de perda, motivada, em grande parte, pela morte de muitos dos que aprendi a admirar. O tempo continua correndo, indiferente a mim e, durante esse transcorrer, acompanhei muitas despedidas tristes.
Contudo, não apenas as pessoas próximas, familiares, partiram. Diversas personalidades públicas foram levadas pelo tempo, vítimas da inevitável morte.
Chico Anysio, Chico Xavier, Steve Jobs, Eric Hobsbawm, Renato Russo, Michael Clarke Duncan, Millôr, Rogério Cardoso, Ray Bradbury, José Saramago, Nair Belo... são muitos os nomes de pessoas que fizeram parte da minha vida e, contrariando minha vontade, partiram. É inevitável a sensação de saudade que essas mortes criam. Também é i­nevitável a percepção de que somos cada vez mais mortais. Sim, pois quando jovens, a mente e a confiança em nossa "invulnerabilidade" trabalham para que sejamos prepotentes, quase arrogantes.
Ontem (28/11/12), a notícia do estado de saúde de Joelmir Beting me alertou sobre o que falo agora. Novamente a idade avançada, e as sequelas implicadas pelo transcorrer dos anos, causaram-me espanto. É estranho ver ícones, pessoas que admiramos, adoecerem e - em alguns casos - morrerem. Não que haja algo de diferente nisso (todos morreremos), porém é a velocidade com que isso acontece, a forma como inteligências e histórias brilhantes são apagadas de nosso convívio que me assustam. Talvez, inconscientemente, eu tenha medo de que a dama silenciosa também me abrace. É provável que os anos me levem a pensar mais e mais na partida, naquilo que abandonarei contra minha vontade.
Mas quanto conta minha vontade?
Hoje despertei com a notícia da morte de Joelmir Beting. Algo, de certo modo, inesperado. Mas nada do que eu diga pode alterar o fato. Como também nada do que eu faça irá evitar minha morte ou a morte de quem admiro ou amo. Isso é viver. Isso é morrer.
Resta-me apenas viver com plenitude. Aproveitar os bons momentos, aprender com os maus e, com o tempo, descartá-los. Felicidade é a colheita das pequenas alegrias, o somatório delas. Felicidade é aprender com os traumas e obstáculos, mas legar um canto bem escuro do esquecimento para eles.
Cedo ou tarde minha vontade será esquecida e, inevitavelmente, serei convocado para a longa viagem. Contudo, meu legado (tal como os ícones e pessoas que amei deixaram) ficará para os que nutrem amor por mim. Serei muito mais que uma memória, ainda que o tempo faça com que me esqueçam. Quando algo trouxer novamente minha lembrança à tona, então estarei novamente vivo. Que as gerações seguintes aprendam que, um dia, eu amei como cada um que delas faz parte.
O tempo é frio e não poupa ninguém. Mas o calor de quem ama e a saudade que habita corações é forte o suficiente para perpetuar até os mais anônimos. Assim, quando o tempo clamar por nossos heróis ou por pessoas próximas a nós, resta-nos a certeza de que suas histórias podem ficar para sempre vivas... em nós e naqueles que nos sucederem.

Ad Infinitum.



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4 comentários:

  1. Não sei pq, mas me lembrou o seguinte episódio do escriba café:
    http://www.escribacafe.com/podcast-no63-em-busca-de-um-heroi/

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    1. Ainda não baixei para ouvir, mas o Escriba sempre tem ótimos podcasts...

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  2. Há uma frase costumeiramente atribuída a Charles Chaplin que diz o seguinte:

    "A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso."

    Como ainda não é possível reverter o processo, nem ser mais esperto que a dama de negro, e sabendo que a vida é sempre um romance com um final trágico, então, como bem diz o texto, procuremos ver o lado bom e pensar que se a pessoa morre, seus feitos não se apagam; apenas a tocha poderá continuar a ser conduzida se um dia foi acesa. Na verdade todos esses continuarão vivos na medida que os cultivarmos na nossa própria vida.

    "Sonhe como se fosse viver para sempre, viva como se fosse morrer amanhã." James Dean

    Nós somos como a estrela que brilha: pode ser que nem exista mais, mas a luz ainda pode chegar longe!

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    1. Comentário pertinente, meu amigão. A vida e a morte são tabus em proporções diferentes, mas sempre serão polêmicas ao extremo. Mas o final de sua análise é uma grande dica para os que desejem dar um maior sentido ao seu tempo aqui na Terra.

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