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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Resenha da obra gráfica: A Paixão do Arlequim, de Neil Gaiman e John Bolton.




A edição que tenho em mãos é da editora Conrad. Capa em cartão, algum material extra, porém não há o luxo das edições atuais que a Panini oferece... e eu afirmo que tais luxos não fazem falta. A história é relativamente simples - e perfeita em sua simplicidade - e foi escrita por Neil Gaiman, nosso velho conhecido do Apogeu. Na trama nós conhecemos um arlequim que resolve mostrar seu amor por uma mulher fixando seu coração, literalmentel, na porta dela. Apesar de um tanto mórbido, essa atitude desencadeia uma série de eventos que mudarão o destino de ambos. Esse é o diferencial entre as histórias comuns e as de Gaiman que, mesmo diante do óbvio, conseguem alcançar o incomum com reviravoltas ou abordagens inteligentes. Assim ocorre na "Paixão", onde os amantes chegam a uma encruzilhada em suas existências e é nela que são encontradas as opções para cada um. Então, nobre leitor, você poderia me questionar: se as coisas são tão simples, o que há de importante ou marcante nessa revista? Como resposta, deixarei algumas imagens da HQ e um único trecho da narrativa de Neil. Juntas, as duas formas de arte nos trouxeram uma história de amor que transcende os séculos. Além disso, os autores nos provam que ficar apaixonado pode ser bastante arriscado. Leiam e se surpreendam. Só gênios conseguem unir teatro, literatura e quadrinhos sem que isso pareça algo apelativo. Mas não permita que restos de seu coração fiquem jogados, pois você não sabe o que podem fazer deles...

INSPIRAÇÃO:

Missy, a Colombina, o Arlequim, o Pantaleão e até o próprio Pierrô são personagens da Commedia Dell'Arte e eles são a fonte para a inspiração desta fábula moderna.
Ao final da revista há uma breve explanação sobre o tema...

A ARTE:

John Bolton já é conhecido por seus trabalhos nos Livros da Magia. Suas ilustrações aparentam ser aquarelas em alguns casos e é nas faces que o talento se destaca. Nessa obra, Bolton prova o quanto é talentoso, adequando-se brilhantemente ao roteiro de Gaiman.

A TRAMA:

Escrita por Neil Gaiman, criador de Sandman e American Gods, A Paixão do Arlequim é uma história de aparente simplicidade, mas que tem várias mensagens em seu texto, principalmente sobre o tema "amor". Claro que numa história com o Arlequim, podemos esperar algumas brincadeiras só um pouco maldosas. Só um pouco.

DOSE DE REALIDADE:

Nem mesmo a magia de um ser mitológico como o Arlequim é capaz de sobrepor a fragilidade de suas ações diante da paixão. Honestamente, o apaixonado é o indivíduo mais frágil que existe.
Outra dose maciça de realidade está nessa descrição de Missy, a pretendida: "... e também standd te amante secreto morrej num engavetamento de três carros, na rodovia interestadual, e ela esperou até o fim do funeral, quando o dia já havia terminado, para depositar um lírio branco no túmulo dele."

EXTRAS:

Há um glossário e notas sobre a arlequinada e seus integrantes, o que denota respeito pelo leitor que não conhece o assunto. Essas notas não existiam na edição original.
Entretanto, não é necessário tal conhecimento para desfrutar a graphic novel.
Também há uma narrativa sobre o processo criativo de John Bolton e uma breve "biografia" de Neil Gaiman.

Dados técnicos:
Escrita por Neil Gaiman
Ilustrada por John Bolton
Editora Conrad
Ano de publicação - 2002
ISBN 85-87193-69-4

Preço na época (que saudade) R$ 9,90
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Um comentário:

  1. Franz, o indivíduo apaixonado é o mais frágil mesmo, além de corajoso, pois mesmo o enamorar-se sendo quase um instinto, costumamos alimentá-lo ainda mais. É preciso muito destemor para colocarmos os nossos corações nas mãos de alguém. Por isso, acredito que o amor é uma emoção que não tem como ser classificada entre a sanidade e a insanidade. Como o Guia do Mochileiro das Galáxias diz: "Amor, evite-o, se for possível." Gaiman é sempre certeza de muito surrealismo que provoca no leitor uma introspecção fenomenal! Parabéns pela resenha!

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