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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Resenha da Graphic Novel "Loki".




Por: Filipe Gomes Sena.



            Quem estava fora da caverna nos últimos anos viu que do nada o Homem de Ferro virou o super-herói preferido do público. Pelo menos do público que conheceu o universo da Marvel através dos filmes. E da mesma forma que nosso querido Robert Dow... Tony Stark caiu nas graças do público como herói houve um vilão que conquistou todos que assistiram os heróis da Marvel no cinema. Ninguém menos que Loki, brilhantemente interpretado e muito bem adaptado, foi de longe uma das melhores coisas do filme dos Vingadores e sem dúvida alguma a melhor coisa de Thor. Através desses filmes fomos apresentados a um personagem complexo, profundo e interessante. Mas pra mim, que infelizmente nunca li muitas historias solo de Thor, ficou a vontade de me aprofundar no personagem de Loki, que até então não tinha me parecido tão interessante assim. Meus desejos foram atendidos quando no fim de 2012 foi republicada uma das HQ’s que eu tinha na lista dos mais antigos sonhos de consumo. No fim do ano passado foi relançada em um volume de capa dura as 4 partes da minissérie Loki.
            Loki foi uma minissérie em 4 edições publicada em 2004. Escrita por Robert Rodi e desenhada por Esad Ribic. Em 2011 ela foi adaptada para a série em motion comic Thor & Loki: Blood Brothers, serie em 4 capítulos lançada nas lojas virtuais do iTunes, PSN e Xbox Live.
            O volume de pouco mais de 90 páginas é de uma qualidade excelente e tem as dimensões um pouco maiores que uma HQ em formato americano. Pela qualidade da edição me senti satisfeito com os 21,90 gastos na aquisição desse volume, que eu encontrei com muita facilidade em diversas bancas de jornal, livrarias e lojas virtuais.
            A historia inteira tem basicamente dois pontos muito fortes: o principal é o mergulho que o leitor faz na personalidade, historia e motivações de Loki, e o segundo é a resposta que o autor dá a pergunta “o que aconteceria se o vilão vencesse?”. E é assim que a historia começa: Loki venceu. Derrotou Thor e conquistou Asgard, não dá pra ter certeza como ele fez isso, mas fez e quando eu terminei a minha leitura eu cheguei à conclusão que isso se torna muito pouco importante diante de uma historia tão boa. Em termos de eventos não acontece muita coisa. Loki se vê não mais que repentinamente com um reino para governar e um grande número de aliados, que ajudaram para que tal conquista acontecesse, cobrando as recompensas que foram prometidas pelo Deus da Trapaça. Mas de todas as coisas que são cobradas de Loki a que ele mais reluta em realizar é justamente a execução de Thor.
            É estranho pensar que Loki sempre quis ver seu irmão adotivo humilhado e derrotado, mas nunca foi sua real intenção tirar a vida do Deus do Trovão. Enquanto aguarda pela hora da execução de seu irmão Loki encontra com alguns dos que derrotou como Sif, Balder e Odin, e é por causa desses encontros que Loki revive as partes do seu passado que o motivaram a se tornar um vilão. Através desses flashbacks é possível entender melhor como funcionava a relação entre Thor e Loki, e como ela se deteriorou. Mas o que começa como a simples conquista de um vilão acaba se tornando a luta de um homem para fugir de um destino que ele não consegue aceitar. É interessante notar que Thor praticamente não aparece durante a historia, fazendo aparições mais significativas nos flashbacks. Mas a presença do Filho de Odin é sentida mesmo que suas aparições sejam poucas. Loki tem sua vida e seu destino intimamente ligados a Thor.
            A arte é indiscutivelmente excelente. Os destaques maiores são Thor e Loki. O primeiro tem duas caracterizações, uma nos flashbacks, que lembra um pouco o Superman desenhado por Alex Ross e a segunda é a imagem pálida e ferida do Deus do Trovão em sua ira silenciosa. Já as caracterizações de Loki seguem mais ou menos o mesmo esquema, mas a diferença entre elas é a idade aparentada pelo Deus da Trapaça. Vale ressaltar que a imagem de Loki nessa historia é envelhecida e um pouco decrepta, contrastando com a juventude do deus em seus flashbacks. Isso pode indicar que, antes de assumir o poder de Asgard, Loki se afastou dos outros deuses. Lembrando que, segundo a mitologia nórdica, os deuses precisam se alimentar das maçãs douradas para que se mantenham sempre jovens. Ou talvez isso aconteça devido a sua natureza de gigante.
            Apesar de um final meio brusco, Loki é uma HQ muito boa. Mais uma prova de que vale muito a pena adquirir historias fora de cronologia. Terminei a leitura com a mesma sensação de quando eu li Thor: A Era do Trovão*, que nada daquilo serviria pra entender a cronologia oficial da Marvel nem o status atual do personagem, mas aquilo que eu estava acabando de ler me daria uma visão dos personagens tão única que nenhuma revista mensal da cronologia oficial poderia me oferecer.
            Por fim eu posso dizer que Loki é uma HQ que vale a pena ser adquirida, não só pelo preço e pela qualidade da edição, mas também pela qualidade da historia. Se você gosta de historias no universo de Thor ou gostou de Loki nos filmes da Marvel, então Loki merece um lugar na sua estante

* Thor: A Era do Trovão foi publicada na Marvel Especial 15, em 2009, e eu recomendo violentamente principalmente pra quem gosta de mitologia nórdica.

           
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Um comentário:

  1. Eu vivo na Saraiva e quando vi na prateleira comprei na hora. Muito boa história, inclusive porque dá uma explicação para alguns fatos da mitologia que não foram utilizados pela Marvel. Eram dimensões paralelas. Adorei a arte, está tudo muito bonito.
    Quando vi, pensei que fosse uns R$ 50, mas quando vi que eram R$ 21,90 meus olhos se abrilhantaram mais. Pouco importa o preço, por mim poderia ser R$ 145 (o valor da edição especial de Sandman), eu compraria do mesmo jeito.

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