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terça-feira, 19 de março de 2013

Resenha de Jonah Hex. Por Filipe Gomes Sena.





Por: Filipe Gomes Sena



            Não lembro exatamente quando foi, mas tenho certeza que da primeira vez que vi Jonah Hex foi na série animada da Liga da Justiça, em um episódio que eles fazem várias viagens temporais. A figura daquele pistoleiro desfigurado me chamou atenção, mas eu só fui ouvir falar novamente de Jonah Hex quando anunciaram o lançamento do filme em 2010, foi quando começou a publicação dos encadernados de Jonah Hex no Brasil.
            Jonah Hex é um personagem relativamente antigo, foi criado em 1972 , na revista All-Star Western. Essa publicação, como o nome já diz, se dedicava a publicar as histórias dos personagens do universo faroeste da DC, personagens esses que tinham muito pouca ou nenhuma relação com o Multiverso DC. Hex teve varias fases, incluindo uma em que ele era jogado num futuro pós-apocaliptico no maior estilo Mad Max. Em 2005 foi iniciada uma nova fase para o personagem, sob os cuidados da dupla  de roteiristas Justin Gray e Jimmy Palmiotti, e foi justamente essa fase que foi parcialmente publicada por aqui.
            Foram publicados 6 volumes, com aproximadamente 144 paginas cada um, com capa cartonada e em papel especial. Essas edições compilam as histórias até o numero 36 da edição americana (que foi até o número 54). Ao contrário do formato ao qual estamos acostumados, as histórias de Jonah Hex são bem mais curtas, duram apenas um número em sua maioria, bem diferente dos tradicionais 4, 5 ou 6 números que um arco normalmente tem. Ao longo dessas tramas somos apresentados a um caçador de recompensas rude e violento, que não possui amigos. Suas principais características são a face direita desfigurada e o uniforme que o exército sulista usava na guerra civil americana. 
           Ao longo das 36 edições somos apresentados ao universo violento do oeste selvagem, mais especificamente ao submundo do oeste selvagem. Criminosos de todos os tipos cruzam o caminho de Hex, alem de índios furiosos e até mesmo seres sobrenaturais. As aventuras normalmente não fogem muito do tradicional pro gênero de western, mas o roteiro é muito bom e a diversidade da arte da serie é enorme, lembrando que vários artistas trabalharam com o personagem nessa fase, alguns deles em apenas alguns números não consecutivos, isso ajuda a dar um tom diferente a cada história tornando a experiência da leitura bem interessante, já que cada artista possui um jeito único de retratar Hex, a sensação é que a cada historia somos apresentados a uma faceta diferente do personagem. Mas é indiscutível o fato das melhores histórias são aquelas em que Jonah Hex encontra com seus velhos conhecidos (como El Diablo e Bat Lash), a forma como eles são pessimamente tratados pelo caçador de recompensas chega a ser cômica algumas vezes, sem contar na forma como cada um é explorado e caracterizado pelos autores.
            Porém no ano de 2011 a DC promoveu um reboot, conhecido como Os Novos 52. Entre os 52 títulos que seriam lançados estava All-Star Western, que passaria por uma ligeira renovação, mas que manteria o foco no principal personagem do faroeste da DC, nem preciso dizer quem é. Há poucas semanas foi publicado o segundo volume de Grandes Astros do Faroeste, trazendo aos leitores brasileiros as aventuras de Jonah Hex na Gotham City do fim do século 19 ao lado da peculiar figura de Amadeus Arkham, também conhecido como o fundador do Asilo Arkham. A dinâmica entre Hex e o médico é interessante, já que Arkham está longe de ser o cara mais corajoso do mundo. Com isso as histórias ficam muito ligadas à origem de algumas coisas que existem no universo do Batman pós-reboot. Como, por exemplo, a Corte das Corujas. Lembrando que a saga A Noite das Corujas está sendo publicada atualmente no Brasil. De forma geral as histórias perderam um pouco daquele clima puramente faroeste, mas a dupla de roteiristas continua a mesma, o que diminui bastante o impacto que o atual direcionamento editorial do título vem tomando.
            Por fim, posso dizer que Jonah Hex foi uma das melhores coisas que já coloquei na minha estante. Recomendo violentamente as histórias do personagem escritas pela dupla Gray-Palmiotti. As histórias pré-reboot são muito boas, boa parte delas é excelente. Elas conseguem colocar no personagem uma profundidade que infelizmente as tramas atuais não conseguem. A vantagem da fase atual é que no fim das edições de Grandes Astros do Faroeste são publicadas histórias curtas com outros personagens do universo western da DC. Pra finalizar vale lembrar uma coisa que qualquer homem, mulher ou criança sabe: “Não tinha amigos, esse tal Jonah Hex, apenas duas companhias constantes... A morte e o cheiro acre da fumaça da pólvora de um revólver”.

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