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domingo, 10 de março de 2013

Resenha de Wolverine: Saudade.




Por: Franz Lima.
O que esperar de um herói que tem um instinto assassino, garras e um esqueleto indestrutível? No mínimo uma história com muita violência e, pensando nisso, a dupla Jean David Morvan (roteiro) e Philippe Buchet (desenhos) criou uma das mais interessantes e impactantes aventuras do mutante Wolverine. Saudade é o título dado a essa breve história que se passa em Fortaleza, capital do Ceará - sim, Brasil - e em sua periferia. 
Logan está de férias na bela cidade de Fortaleza e, minutos após desembarcar, já se envolve em problemas. Mas há algo muito diferente na cidade que pega o baixinho desprevenido. Essa surpresa é o pano de fundo para uma trama onde violência, abandono de menores, grupos de extermínio, exploração da fé, morte e, claro, uma visão interessante da cidade cearense são mostrados com muita propriedade.
Entretanto, Saudade tem um ponto que a destaca das demais aventuras de Logan: a realidade é muito mais tangível. Mesmo dotado de fator de cura e garras indestrutíveis, até mesmo ele pode sofrer e morrer. Isso é abordado com muita inteligência e com uma linguagem mais adulta. Os combates que estamos acostumados a ver, sempre são 'maquiados' e não dão ao leitor a real dimensão do efeito de lâminas cortando carne. A dor é diminuída. Entretanto, nessa história isso não ocorre. A morte, a dor e a crueldade, assim como a covardia e o lado mais negro do ser humano, são mostrados em toda sua plenitude. Prepare-se para cenas fortes, dificilmente vistas em aventuras da Marvel.
Por se tratar de uma HQ européia, diferenças serão facilmente detectadas quando comparada a uma trama produzida pela editora nos EUA. Mas são boas diferenças que lançam o leitor em um mundo diferente que, mesmo com pequenos deslizes de ambientação e caracterização, cumprem com o esperado. 
Por fim, Saudade é uma aventura que fala sobre amizade de um jeito muito poético em certas partes. Ver o Wolverine em uma favela, dançando e se divertindo é algo até incomum que, nesta trama, foi empregado com propriedade. Desconsiderem, como já citei, algumas caracterizações de pessoas e lugares (por vezes lembrando bolivianos), pois isso não afeta o resultado final de uma aventura que serve como entretenimento, aguça a curiosidade por mais material similar e mostra que é possível ter uma história sobre heróis com qualidade ambientada em nosso território. Destaco, ainda, os mutantes nacionais que se mostraram tão interessantes quanto o próprio Logan, mas com uma dose a mais de realidade.

P.S.: o único ponto controverso da HQ é a visível incompreensão por parte dos autores quanto ao real significado da palavra 'saudade', mas que pode ser relevado.

Wolverine: Saudade
Arte: Phillippe Buchet
Roteiro: Jean David Morvan
Cores: Walter Pezzali
Páginas: 48
Editora Panini

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