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sexta-feira, 10 de maio de 2013

Apocalypto: resenha do filme dirigido por Mel Gibson.







Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo


Caution: Spoilers...
 
O filme se passa em um determinado período da era pré-colombiana onde nos são apresentados jovens caçadores de uma aldeia. Seus rituais, o modo de caçar, a coesão entre eles, e principalmente, os laços de amizade e família. O diretor nos faz adquirir simpatia pelos caçadores, dando um aspecto bem tranquilo e familiar aos personagens.


Jaguar Paw, seu pai e dois amigos da tribo

Tudo fica calmo durante quase 1/3 do filme, sempre mostrando os aspectos comuns dos aldeões.
Então, como só um cineasta poderia representar, surgem os “vilões”. Homens mais preparados para o combate, caçadores cruéis e ágeis, armados e, ainda, agraciados com o fator surpresa. Estes invasores vem como só a morte poderia chegar: fria, rápida e calculista, sem poupar suas vítimas. Liderados por um violento guerreiro, eles conseguem subjugar toda a aldeia, com o preço de muitas vidas. Mulheres, crianças, nada foi poupado ante a passagem dos algozes.
Um fato interessante, que só se percebe mais a frente, é que a nação assassina e violenta é, na verdade, a civilização Maia, um dos maiores expoentes entre os povos pré-colombianos.

Caçadores Maias
Assim, após uma longa travessia pela floresta, envolta em tensão e tortura, os homens e mulheres aprisionados são apresentados a uma realidade totalmente diferente daquela a que estão acostumados. Eles se deparam com uma cidade gigantesca, com pessoas comercializando, dotada de uma clara hierarquia, onde as pessoas parecem viver em harmonia, conscientes de seu papel dentro desta sociedade. 
Mulheres Maias
Os homens cativos são encaminhados para um local diferente das mulheres. Elas são negociadas, ao passo que os homens mais fortes são selecionados para participar de um ritual. É neste ponto que somos apresentados às pirâmides maias. Mel Gibson consegue mostrar a grandiosidade da arquitetura deste povo, além de expressar a necessidade dos sacrifícios para melhorar as colheitas e agradar ao deus do Sol, Kulkulkan. Gibson faz parecer que as mortes (onde os corações são arrancados e expostos, e as cabeças cortadas, para depois serem arremessadas por escadaria abaixo) são uma constante nos hábitos deste povo, também deixando transparecer que aqueles que não participam do ritual são, na verdade, verdadeiros admiradores do sangue e da morte. Vale ressaltar que a visão da época, segundo muitos historiadores, era outra, pois havia a crença da necessidade dos sacrifícios rituais para que o povo continuasse a prosperar. O contraste entre as duas nações é gritante, ressaltada pela presença de uma outra aldeia destruída, onde os sobreviventes vagueiam pela floresta como zumbis, silenciosos e sinistros.
Caracterização impecável: notem os dentes e a maquiagem
 O filme culmina com a fuga de Jaguar Paw, um personagem dotado de coragem e força inspiradoras. A perseguição que se segue a esta fuga é motivada pela morte do filho do guerreiro chefe Maia, provocada por Jaguar.
Reconstituição de uma pirâmide Maia

As lições de vida que Jaguar Paw recebeu de seu pai, morto por um dos Maias, são usadas em sua escapada, mostrando adaptação e grande vigor contra seus perseguidores. O fugitivo tem em sua família (mulher e filho que estão presos em um fosso) a inspiração para continuar  tentando se manter vivo. Após várias mortes (sempre ladeadas de muito sangue e violência), Jaguar finda em uma praia na qual ele e seus atacantes se deparam com navios espanhóis. Os atacantes ficam estagnados diante da grandiosidade das naus e, aproveitando, Jaguar foge e salva sua família.
O fim do filme sugere que Jaguar percebeu a malignidade nos espanhóis, indo para o interior da floresta.


Notas:
  • Junto ao filme A Paixão de Cristo, este é um dos mais fiéis filmes de Gibson. Mesmo valendo-se de uma narrativa frenética, é possível ver o apuro na ambientação e nas indumentárias dos personagens. As atuações são convincentes e a utilização de atores com traços similares aos dos povos retratrados dão maior credibilidade à obra. 
  • Mesmo que criticado por alguns em função da violência, Apocalypto não é um filme exagerado. Para os povos pré-colombianos este tipo de ação era normal, sendo a ser considerada vital para a manutenção da paz e das colheitas. A fé exigia os sacrifícios e, inevitavelmente, eles ocorriam. 
  • Os rituais de sacrifício ganharam um tom  sombrio, mas é fato que eram uma constante, principalmente por conta do caráter religioso dessas cerimônias. 
  • A concepção e a representação de uma única cidade Maia dão uma breve ideia da importância e da real grandiosidade dessa civilização.
  • O filme foi todo falado em um dialeto Maia.

Elenco (via Wikipedia):

  • Rudy Youngblood - Jaguar Paw
  • Dalia Hernández - Seven
  • Jonathan Brewer - Blunted
  • Mayra Serbulo - Young Woman
  • Morris Birdyellowhead - Flint Sky
  • Carlos Emilio Báez - Turtles Run
  • Amílcar Ramírez - Curl Nose
  • Israel Contreras - Smoke Frog
  • Israel Ríos - Cocoa Leaf
  • María Isabel Díaz - Mother-in-Law
  • Iazúa Laríos - Sky Flower
  • Raoul Trujillo - Zero Wolf
  • Gerardo Taracena - Middle Eye
  • Rodolfo Palacios - Snake Ink
  • Ariel Galván - Hanging Moss
  • Fernando Hernandez - High Priest
  • Rafael Velez - Mayan King
  • Diana Botello - Mayan Queen
  • Bernardo Ruiz - Drunkards Four
  • Ricardo Díaz Mendoza - Cut Rock
  • Richard Can - Ten Peccary
  • Carlos Ramos - Monkey Jaw
  • Ammel Rodrigo Mendoza - Buzzard Hook
  • Marco Antonio Argueta - Speaking Wind
  • Aquetzali García - Oracle boy
  • Gabriela Marambio - Close-Up Mayan Girl
  • María Isidra Hoil - Oracle Girl
  • Abel Woolrich - Laughing man
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13 comentários:

  1. Respostas
    1. Não resta dúvida. Obra feita com muito cuidado e respeito ao espectador.

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  2. melhor filme q eu ja vi na minha vida!! apesar da violencia,ele retrata de fato oq ocorreu naquela época !

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  3. alguem me pasa o link pra assistir?
    tenho que fazer um resumo pra escola

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  4. Os dois filmes do Mel Gibson foram bons apesar das críticas dos conservadores. Mas este em especial foi o melhor e mais bem produzido filme que eu já vi na minha vida.

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  5. Os dois filmes do Mel Gibson foram bons apesar das críticas dos conservadores. Mas este em especial foi o melhor e mais bem produzido filme que eu já vi na minha vida.

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  6. Realmente, um filme que vale assistir, envolvente.Show de bola.

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  7. Realmente, um filme que vale assistir, envolvente.Show de bola.

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  8. 2017 , faz 10 anos que assisti pela primeira vez e até agora não teve filme mais impactante , espetacular, melhor filme que vi na vida .

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  9. Filme bom e informativo. Grande Mel Gibson

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  10. Eu, como Professora de História não me canso de passar este filme para meus alunos, vou continuar passando até meus últimos dias de aposentadoria. Pois este é o melhor filme acerca das civilizações pre colombianas. Parabéns Mel Gibson voce é simplesmente demais.

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    1. Leia as críticas que o povo maia fez ao filme! Os Mais eram um povo pacífico. Eram astrônomos, engenheiros, religiosos... não faziam sacrifícios humanos. Triste ver que se engole tudo que apareça num filme. E mais ainda uma professora de história fazendo seus alunos engolirem uma ficção.

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  11. Excelente resenha,mas gostaria de fazer um adendo,o povo indígena "vilão" são os astecas e não os maias

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