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sexta-feira, 21 de junho de 2013

Quando o gato foi encarado pelo rato acuado: os motivos que levaram aos protestos no Brasil.





Por: Franz Lima.

Anos de corrupção, inflação disfarçada, conluio entre governos e empresas, violência, descaso com a saúde... e muitos outros fatores tão ou mais graves, sempre foram do conhecimento da maioria da população e, logicamente, do próprio governo. A sujeira já estava acostumada a ser varrida para o gasto e velho tapete. A tal da boca ficou mais torta do que nunca, tal era o costume do uso do cachimbo. Vícios que estavam entrando na rotina do brasileiro, quase já aceitáveis, corriqueiros. Essa foi a realidade de gerações. Essa era a realidade até poucos dias atrás.
O que nos acostumamos a ver, dentro de uma certa lógica, é o gato acuando e destruindo o rato. Mas o que aconteceria se o rato não se deixasse abater sem combater seu oponente? O que poderia ocorrer ao gato quando ele visse o medo e o ódio fundidos nos olhos do pequeno rato? E o que dizer de um único gato tentando oprimir milhares de ratos, pois é fato que os diminutos roedores crescem em número muito, muito maior que os felinos domésticos. Logo, não é difícil imaginar uma reviravolta no clássico duelo. Não é difícil imaginar o astuto Jerry derrotar o poderoso Tom (a preguiça e o descaso anexos ao poder podem provocar um rebaixamento da guarda). 
Nós fomos os ratos por décadas. Houve períodos em que elevamos as patas e guinchamos, fatos que provocaram até certo receio no gato (representado pelo Governo e todos que dele tiram algum proveito), mas jamais houve uma vitória esmagadora. No final, o velho gato ainda preparava sua armadilha e, cedo ou tarde, o fim chegava para o roedor.
Mas os tempos mudam. Nós aprendemos a conviver com os percalços e a opressão, enquanto quem manda se acostumou ao luxo, ao poder e ao destemor por nossas opiniões. Porque temer aqueles que não tem força política, voz, poder? Quando eles teriam tempo para lembrar que são tratados como lacaios, serviçais que recebem um pagamento mínimo, ora agradados por pequenas bolsas com algo que lhes distraísse, algo capaz de desviar seus olhos de uma realidade triste... de um futuro incerto e um presente caótico.
Entretanto, ilhados em suas mordomias, os detentores do poder jamais esperariam que os 'fracos e oprimidos' teriam uma voz a favor deles. Não a inexistente representatividade política, isso é utopia. O que elevou-se, o que fez o monstro da corrupção e da dominação recuar foi a voz do próprio povo, por tantos anos silenciada. Uma voz que foi crescendo através de algo que muitos dos dominantes jamais acreditaram: as redes sociais. Desprezaram o poder de divulgação, de influência e comunicação das redes, antes chamadas de 'focos de alienação'. 

Eis uma resposta à altura para os que ridicularizaram a força do povo: novelas, filmes e jogos (incluindo o futebol) são distrações, lazer. Até quando acharam que iríamos ficar com fome, humilhados e largados no gueto? Quanto tempo duraria a hipnose em massa? Os tempos são novos, porém vocês estagnaram. Nós evoluímos e iremos mudar esse país, essa realidade ao custo que for. A política do Pão e Circo ainda mantém muitos presos aos ditames de uma ditadura que vai muito além do poder militar, mas isso não é eterno. Até os grandes impérios e ditadores ruíram...


Esta não é uma era de revoluções. Esta é uma era de evoluções. O Brasil ainda é visto como um país de Terceiro Mundo por ostentar uma desigualdade só vista em territórios extremamente pobres ou cujos governantes foram levados ao poder por meio da força ou extremismo religioso. Aqui, temos um solo rico, uma cultura rica e uma economia que poderia, verdadeiramente, estar entre as três maiores do mundo. Então, o que nos impede de termos uma população rica em educação, saúde e dignidade? Será que só ouvem o povo quando ele grita? 

Não há apoio para os que destroem e provocam o caos. Eles são tão incorretos quanto os que desprezam as preces por um salário digno, tão covardes quanto os que desviam dinheiro público da saúde, educação ou segurança para seus cofres no exterior. Ninguém que pratique o vandalismo e a violência terá o apoio da grande massa que se move em direção ao futuro. Nós não caminhamos por dinheiro. Cada passo que damos é direcionado ao fim de um período longo e tortuoso que não findou com a ditadura militar. 
Os avanços da democracia são inegáveis. Os recuos também. Mas as lacunas são fruto da ganância humana. O sistema tem tudo para funcionar, desde que sejamos respeitados como cidadãos e como Nação.
As passagens baixaram. Vitória. Claro que inda resta corrigir muita coisa, mas o primeiro passo foi dado. O clamor foi ouvido e este é um momento onde o mar guia o navio, não o contrário. 
Caminhemos em paz. Que nenhuma gota de sangue seja vertida no solo desse abençoado país. A justiça será feita, e aquilo que é do povo será devolvido. 
O Gigante realmente acordou... e ele não irá permitir que o sono se aproxime outra vez.

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