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segunda-feira, 10 de junho de 2013

Tempos Modernos, de Charles Chaplin. Análise completa da obra.





Por: Franz Lima.

Tempos modernos é um filme dirigido e atuado por Charles Chaplin, onde a moderna e competitiva sociedade é retratada de forma irônica, porém correta. Os exageros servem para evidenciar os prejuízos que o ritmo moderno, acelerado, pode trazer ao homem.
A genial cena de abertura mostra ovelhas em trote acelerado, enquanto na transição vemos homens, uma multidão, saindo do subterrâneo dos trens, uns indiferentes aos outros, cada um preocupado com sua própria vida.
Com um humor ácido, Chaplin aborda os malefícios de uma sociedade industrial e consumista. Em prol de lucro e produção, o patrão sacrifica seus funcionários, levando-os ao extremo do desgaste pelo trabalho. A repetição e a alta carga horária são outros pontos mostrados de forma ímpar.
NOTA: Essa era uma realidade comum que foi modificada apenas recentemente através de novas leis trabalhistas, porém contornadas por jogadas e armações de fábricas e patrões.
Por causa de tamanha pressão, o personagem de Chaplin surta. Essa é uma nítida crítica ao tratamento dado aos empregados nas fábricas.

Alguns aspectos peculiares são encontrados na forma como o dono da Companhia se dirige aos empregados, na absoluta falta de equipamentos de proteção e no desgaste que uma linha de montagem (absolutamente repetitiva) pode trazer a um homem. 
Sem emprego, Chaplin vaga em busca de novo sustento. Uma dessas saídas o leva a uma passeata onde é confundido com um líder socialista. Preso, ele acaba por evitar uma fuga e é considerado um herói. O xerife lhe dá uma carta de recomendação para que consiga novo trabalho.


 
Em paralelo a isso, uma jovem (Paulette Goddard) vive de pequenos furtos. Com o pai desempregado, resta-lhe agir assim para evitar que suas irmãs sofram com fome. Em um protesto, o pai morre, deixando-as à mercê da custódia. Esse é outro elemento dramático que enfatiza a vida dos desempregados. Viver sem dinheiro em um país capitalista é uma tarefa hercúlea.
Entre alguns contratempos e outras aventuras, Chaplin se reencontra com a órfã. Há uma nítida simpatia entre eles, o que gera mais confusões. Por serem párias de uma sociedade puramente capitalista, tudo lhes é difícil. Mas há poesia e romantismo quando estão contracenando.
A simplicidade é tão grande e a parceria tão pura que eles se mudam para um barraco, numa clara demonstração de que a felicidade pode ser obtida com o mínimo. Esta passagem rende boas risadas com o humor inteligente e casto da época.
Mas a sorte pode mudar quando a fábrica onde trabalhou reabre. Pode...
Tumultos e reviravoltas fazem com que o casal se meta em novas encrencas, mas absolutamente juntos. Com dinheiro ou não, a solidariedade fala mais alto. É como se a miséria e os infortúnios tivessem unido-os de modo irreversível. Entretanto, esses problemas apenas  vieram para evidenciar que, coesos, são mais fortes que qualquer revés.

Uma verdadeira obra-prima do cinema e um lembrete sobre a repressão e o poder esmagador do capitalismo.
Fabuloso...

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4 comentários:

  1. Um filme fantástico. A cena deles brincando na loja é fantástica! Grande filme de um grande diretor/autor

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    1. Estou aprendendo a respeitar e curtir cada vez mais o trabalho deste ícone do cinema. Chaplin é um referencial...

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  2. Gosto muuuito desse filme!

    http://bloglivrosecha.blogspot.com.br/

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    1. Realmente magnífico, Taiane... Obrigado por comentar.

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