Pular para o conteúdo principal

Tempos Modernos, de Charles Chaplin. Análise completa da obra.


Por: Franz Lima.

Tempos modernos é um filme dirigido e atuado por Charles Chaplin, onde a moderna e competitiva sociedade é retratada de forma irônica, porém correta. Os exageros servem para evidenciar os prejuízos que o ritmo moderno, acelerado, pode trazer ao homem.
A genial cena de abertura mostra ovelhas em trote acelerado, enquanto na transição vemos homens, uma multidão, saindo do subterrâneo dos trens, uns indiferentes aos outros, cada um preocupado com sua própria vida.
Com um humor ácido, Chaplin aborda os malefícios de uma sociedade industrial e consumista. Em prol de lucro e produção, o patrão sacrifica seus funcionários, levando-os ao extremo do desgaste pelo trabalho. A repetição e a alta carga horária são outros pontos mostrados de forma ímpar.
NOTA: Essa era uma realidade comum que foi modificada apenas recentemente através de novas leis trabalhistas, porém contornadas por jogadas e armações de fábricas e patrões.
Por causa de tamanha pressão, o personagem de Chaplin surta. Essa é uma nítida crítica ao tratamento dado aos empregados nas fábricas.

Alguns aspectos peculiares são encontrados na forma como o dono da Companhia se dirige aos empregados, na absoluta falta de equipamentos de proteção e no desgaste que uma linha de montagem (absolutamente repetitiva) pode trazer a um homem. 
Sem emprego, Chaplin vaga em busca de novo sustento. Uma dessas saídas o leva a uma passeata onde é confundido com um líder socialista. Preso, ele acaba por evitar uma fuga e é considerado um herói. O xerife lhe dá uma carta de recomendação para que consiga novo trabalho.


 
Em paralelo a isso, uma jovem (Paulette Goddard) vive de pequenos furtos. Com o pai desempregado, resta-lhe agir assim para evitar que suas irmãs sofram com fome. Em um protesto, o pai morre, deixando-as à mercê da custódia. Esse é outro elemento dramático que enfatiza a vida dos desempregados. Viver sem dinheiro em um país capitalista é uma tarefa hercúlea.
Entre alguns contratempos e outras aventuras, Chaplin se reencontra com a órfã. Há uma nítida simpatia entre eles, o que gera mais confusões. Por serem párias de uma sociedade puramente capitalista, tudo lhes é difícil. Mas há poesia e romantismo quando estão contracenando.
A simplicidade é tão grande e a parceria tão pura que eles se mudam para um barraco, numa clara demonstração de que a felicidade pode ser obtida com o mínimo. Esta passagem rende boas risadas com o humor inteligente e casto da época.
Mas a sorte pode mudar quando a fábrica onde trabalhou reabre. Pode...
Tumultos e reviravoltas fazem com que o casal se meta em novas encrencas, mas absolutamente juntos. Com dinheiro ou não, a solidariedade fala mais alto. É como se a miséria e os infortúnios tivessem unido-os de modo irreversível. Entretanto, esses problemas apenas  vieram para evidenciar que, coesos, são mais fortes que qualquer revés.

Uma verdadeira obra-prima do cinema e um lembrete sobre a repressão e o poder esmagador do capitalismo.
Fabuloso...

Comentários

  1. Um filme fantástico. A cena deles brincando na loja é fantástica! Grande filme de um grande diretor/autor

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Estou aprendendo a respeitar e curtir cada vez mais o trabalho deste ícone do cinema. Chaplin é um referencial...

      Excluir
  2. Gosto muuuito desse filme!

    http://bloglivrosecha.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Bethany Townsend, ex-modelo, expõe bolsa de colostomia de forma corajosa.

Bethany Townsend é uma ex-modelo inglesa que deseja, através de sua atitude, incentivar outras pessoas que sofrem do mesmo problema a não ter receio de se expor. Portadora de um problema que a atinge desde os três anos, Bethany faz uso das bolsas de colostomia  que são uma espécie de receptáculo externo conectado ao aparelho digestivo para recolher os dejetos corporais, e desejou mostrar publicamente sua condição.  Quero que outras pessoas não tenham vergonha de sua condição e é para isso que me expus , afirmou a ex-modelo. Bethany usa as bolsas desde 2010 e não há previsão para a remoção das mesmas.  Eu, pessoalmente, concordo com a atitude e respeito-a pela coragem e o exemplo que está dando. Não há outra opção para ela e isso irá forçá-la a viver escondida? Jamais... Veja o vídeo com o depoimento dela. Via BBC

Ron Mueck - Escultor realista

Curta nossa fanpage:  Apogeu do Abismo Um artista que tem um talento inacreditável, o escultor Ron Mueck, nascido na Austrália, transporta as ansiedades, os medos e toda uma gama de sentimentos que englobam o ato de viver, expressando-os através de seus trabalhos realistas e, por vezes, chocantes. Saiba um pouco mais deste escultor cultuado em todo o mundo: Algumas fotos para ilustrar melhor o realismo do autor. Reparem nas dimensões das estátuas expostas e percebam o grau de detalhamento que Ron atribui às suas esculturas, sejam gigantescas ou pequenas.

A menina que símboliza a Guerra do Vietnã. Foto completa 40 anos.

Fontes: Estadão - BBC - Kim Foundation A foto que mostrou ao mundo a dor que a guerra pode trazer completa hoje 40 anos. A famosa foto com as crianças correndo, fugindo do local onde sua aldeia havia sido atacada por um bombardeio de Napalm, virou símbolo de uma guerra covarde e injusta, mostrando a dor de inocentes e o poder bélico de quem prefere matar à distância. A foto foi feita no dia 08 de junho de 1972 pelo fotógrafo da agência Associated Press, Huynh Cong Ut, que posteriormente recebeu o prêmio Pulitzer pela imagem. A menina da foto chama-se Phan Thi Kim Phúc e sua história é descrita com mais detalhes na matéria após a imagem símbolo e algumas imagens coloridas da ocasião. Que este dia e esta imagem fiquem sempre na mente de todos, pois é importante que algo desse porte nunca volte a ocorrer novamente. O destino da menina que foi a cara de uma guerra  Por: Jamil Chade Kim Phúc e seu filho Ela se transformou no símbolo da G...