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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Ubisoft manifesta-se sobre as acusações de influência Assassin´s Creed no caso Pesseghini





A família Pesseghini

Diversas mídias tem, literalmente, crucificado o game Assassin´s Creed e sua produtora, a Ubisoft, por influência junto ao garoto que, supostamente, teria promovido uma chacina em sua família. 
Para os que ainda não estão familiarizados, um garoto de 13 anos está sendo acusado de ter massacrado seus pais, uma tia e a avó com uma pistola .40 em São Paulo, cometendo suicídio após. Entretanto, isso não é o ponto alto da história. O menino Marcelo Eduardo Bovo Pesseghini, segundo a perícia policial e depoimentos de pessoas que com ele conviveram, demonstrou indícios de que houve premeditação. Bizarro? Então, a coisa piora ao tentarem colocar a culpa desse 'desvio comportamental' em um jogo que influenciou o jovem a praticar os crimes. 
Para quem ainda não está inteiramente a par da situação, o game acima citado, Assassin´s Creed, é sucesso de vendas da Ubisoft e também já está disponível em uma série de cinco livros. Novamente voltamos a um problema que é recorrente na imprensa e opinião pública: atribuir culpa de atos humanos às "influências" de jogos, revistas ou qualquer outro tipo de mídia (os quadrinhos, apenas para citar, já foram alvo de perseguição nos EUA). 
E o que dá suporte a algumas emissoras e jornais para que afirmem ou sugiram que o jogo é a influência negativa do garoto: o simples fato de ele ter colocado como 'avatar' em seu facebook a imagem de um dos personagens do game. Não vou entrar no mérito da violência contida em Assassin´s, pois somos bombardeados diariamente com nudez, traição, mortes, violência, racismo, bullying e extremo mau gosto em programas da TV aberta que, certamente, são muito mais negativos que a grande maioria dos games existentes.
É possível que o menino tenha matado a família? Sim, isso não é algo fruto de um filme policial. Pessoas com a índole tão podre - não importa a idade - existem, mas a história desse garoto está muito mal contada, cheia de lacunas e cheirando mal. 

O que me irrita é ver um garoto ser acusado de algo tão bárbaro com base em uma perícia criminal duvidosa, depoimentos vagos e um surto que surpreendeu até a médica que acompanhou o garoto desde praticamente seu nascimento.  Acrescente a essa fórmula instável o surgimento de um verdadeiro assassino frio e de extrema inteligência, capaz de passar quase um dia inteiro matando em um mesmo lugar sem que ninguém da vizinhança perceba. Nada de mais, não fosse o fato de que o matador é um menino que amava os pais, a tia e a avó. Nada de mais, não fosse o fato de que ele ficou ao lado dos corpos e teve a frieza de sair de casa, ir à escola e voltar para, finalmente se matar. Nada de mais, não fosse o fato de que NÃO há resíduo de pólvora nas mãos ou corpo do garoto. Tudo parece contribuir para a acusação e condenação de quem não pode mais se defender. Como dizem por aí: "morto não fala". 
Finalizando, fica meu protesto pela complexa equação pericial que trouxe à tona um "matador" que aprendeu a dirigir, dissimular, matar friamente e não deixar pistas, mas que foi inspirado por um game onde o assassino luta contra Cruzados, usando espadas, facas e lâminas... não uma pistola .40. Nada condiz. Só uma investigação séria e imparcial é capaz de me convencer que isso é real. A trama, a cena do crime, a organização dos corpos e a convicção absurda dos policiais responsáveis pela apuração soam, no mínimo, estranhas, principalmente quando levamos em conta que a mãe de Marcelo fez uma denúncia sobre um esquema ilícito na própria polícia.
Há muito por trás dessa história, mas não é justo que um filho e uma empresa de entretenimento sejam crucificados sem provas.
Agora, leiam a nota de repúdio da empresa Ubisoft:

Em resposta aos pedidos de posicionamento da Ubisoft sobre o caso da família Pesseghini, trata-se de uma tragédia e nossos pensamentos e orações vão para a família e os amigos das vítimas. Nessa hora de consternação de toda a sociedade, é natural a busca por respostas. 
No entanto, em nenhum estudo até agora realizado há consenso sobre a associação entre a violência e obras de ficção, incluindo livros, séries de televisão, filmes e jogos. É uma falácia associar um objeto de entretenimento de milhões de pessoas, todos os dias, em todo o mundo, com ações individuais e que ainda estão sendo esclarecidas. Novamente, isso é uma tragédia sem sentido e os nossos pensamentos e orações estão com a família e amigos das vítimas.
Agradecemos aos fãs da série que manifestaram apoio contra mensagens sensacionalistas associando o jogo à tragédia e convidamos a todos a se solidarizarem com a família e os amigos das vitimas.

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Um comentário:

  1. Gostei do que vc escreveu. Eu não acredito que o menino matou a família e se matou.

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