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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Cinco poemas para lembrar a genialidade de Vinicius de Moraes...





Chegamos ao centenário de nascimento de um dos maiores poetas que o país já teve: Vinicius de Moraes. Dono de uma sensibilidade ímpar, culto e humilde como só os inteligentes sabem ser, Vinicius foi músico, poeta, escritor e, acima de tudo, um homem como outro qualquer. Da simplicidade extraiu sentimentos e da genialidade soube expressá-los. Grande perda sofremos com sua morte, mas, como dito por ele mesmo, "que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure". 
Leiam e deleitem-se com estes 5 grandes trabalhos do genial Vinicius...

Caso queiram saber muito mais sobre a vida e obra do autor, acessem Vinicius de Moraes

Soneto de Contrição


Eu te amo, Maria, eu te amo tanto
Que o meu peito me dói como em doença
E quanto mais me seja a dor intensa
Mais cresce na minha alma teu encanto.

Como a criança que vagueia o canto
Ante o mistério da amplidão suspensa
Meu coração é um vago de acalanto
Berçando versos de saudade imensa.

Não é maior o coração alma
Nem melhor a presença que a saudade
Só te amar é divino, e sentir calma…

E é uma calma tão feita de humildade
Que tão mais te soubesse pertencida
Menos seria eterno em tua vida.

A Rosa de Hiroshima

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida.
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa, sem nada.

Soneto do Amor Total

Amo-te tanto, meu amor… não cante
O humano coração com mais verdade…
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade
Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Soneto de Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Soneto de separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
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2 comentários:

  1. O tempo esta passando muito rapido. Sempre gostei de, A Rosa de Hiroshima, cantada por Ney Mato Grosso, mas nunca parei para ler de quem era a letra.....Bom saber!!!!

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  2. Vinicius é gênio! Um dos maiores da literatura, fantástico e emocionante!
    Recomendo muito a leitura de seus livros!

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