Pular para o conteúdo principal

Quando a morte encerra uma Era.

Por: Franz Lima.
Já falei sobre as irreparáveis perdas que o humor nacional (e internacional) tem sofrido ao longo dos anos. Homens e mulheres que fizeram gerações rir com suas piadas e tiradas geniais. É impossível não sentir falta de nomes como Chico Anysio, Millôr, Chaplin, Nair Bello e outros incontáveis ícones que se despediram e deixaram lacunas que não podem ser preenchidas.
Mas a morte não faz distinção entre bons e maus e, consequentemente, os ruins também partem. Não vou me dar ao trabalho de citar assassinos, ditadores e outros monstros que transitaram por este mundo. Eles não merecem.
Agora, lendo as notícias, vi que mais um dos bons homens se aproxima de sua partida. Depois de uma luta ferrenha contra o Apartheid e a discriminação/segregação extremas em seu país, parece que a saúde de Nelson Mandela dá indícios de que o peso do tempo já está quase insuportável. 
Por mais natural que isso seja, a morte sempre irá chocar. Entretanto, o que mais assusta e abala é a forma como ela chega e, nesse caso, as coisas estão extremamente difíceis. Mandela sobrevive em um ambiente esterilizado e está fragilizado ao extremo. Sua esposa o acompanha, fazendo o papel de mulher e companheira. Nada mais justo... 
Já vi muitas pessoas mortas e acompanhei um número relativamente grande de outras partindo. Não há glórias nisso, exceto o fato de que em alguns casos, lutamos para preservar a centelha de vida. Mas Nelson Mandela se tornou um ícone de um povo e, com o tempo, uma referência para o mundo. Centenas de milhões comemoraram sua liberdade e a eleição dele para presidente de África do Sul. Ele foi um exemplo e sua imagem está imortalizada nos anais da História da humanidade. Talvez por isso, seja tão difícil vê-lo próximo do fim. Talvez haja um mecanismo de defesa na mente de cada um de nós que, involuntariamente, seleciona apenas os mais sublimes momentos de pessoas que amamos ou admiramos. Isso explicaria o impacto de vê-los definhando. Queremos manter nossos heróis sempre no auge, mas isso só é possível na ficção. A vida real é sempre dura e cruel, não importando o quão importante tenha sido a pessoa. 
O fim de uma era se aproxima com a morte de mais um ícone. Não é pessimismo, é um realismo extremo. 
O único alento é que, ao contrário de Cazuza, meus heróis não morreram de overdose.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Bethany Townsend, ex-modelo, expõe bolsa de colostomia de forma corajosa.

Bethany Townsend é uma ex-modelo inglesa que deseja, através de sua atitude, incentivar outras pessoas que sofrem do mesmo problema a não ter receio de se expor. Portadora de um problema que a atinge desde os três anos, Bethany faz uso das bolsas de colostomia  que são uma espécie de receptáculo externo conectado ao aparelho digestivo para recolher os dejetos corporais, e desejou mostrar publicamente sua condição.  Quero que outras pessoas não tenham vergonha de sua condição e é para isso que me expus , afirmou a ex-modelo. Bethany usa as bolsas desde 2010 e não há previsão para a remoção das mesmas.  Eu, pessoalmente, concordo com a atitude e respeito-a pela coragem e o exemplo que está dando. Não há outra opção para ela e isso irá forçá-la a viver escondida? Jamais... Veja o vídeo com o depoimento dela. Via BBC

Ron Mueck - Escultor realista

Curta nossa fanpage:  Apogeu do Abismo Um artista que tem um talento inacreditável, o escultor Ron Mueck, nascido na Austrália, transporta as ansiedades, os medos e toda uma gama de sentimentos que englobam o ato de viver, expressando-os através de seus trabalhos realistas e, por vezes, chocantes. Saiba um pouco mais deste escultor cultuado em todo o mundo: Algumas fotos para ilustrar melhor o realismo do autor. Reparem nas dimensões das estátuas expostas e percebam o grau de detalhamento que Ron atribui às suas esculturas, sejam gigantescas ou pequenas.

Escritora brasileira lança campanha contra pirataria com pintura corporal. Via G1

Fonte: G1 A escritora brasileira Vanessa de Oliveira fará um novo protesto contra a pirataria de livros. Desta vez, mostrará seus atributos físicos em território nacional, a começar por fotos para ilustrar a campanha por ela idealizada. A autora ganhou fama após aparecer nua em frente ao palácio do governo do Peru, em Lima, em julho. Ela descobriu que uma de suas seis obras – “O diário de Marise - A vida real de uma garota de programa” – era vendida em barraquinhas clandestinas nas ruas da cidade. O novo topless está programado para domingo (12), na livraria Martins Fontes da Avenida Paulista, na Zona Sul de São Paulo, às 15h30. O evento faz parte da nova agenda da escritora. A ex-garota de programa, de 37 anos, encabeçou uma campanha contra a cópia e venda ilegal de livros e pretende usar seu corpo para fazer piquetes internacionais. O protesto em um ambiente privado foi sugestão de Vanessa à editora Martins Fontes, que comercializa seus livros. De volta a...