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terça-feira, 11 de março de 2014

Quando o governo autoriza a morte de pessoas em troca de impostos





Por: Franz Lima
Somos críticos naturais do uso da maconha, crack ou outras drogas ilícitas. É errado consumir tais substâncias devido aos males por elas provocados. Esse é o senso comum sobre o assunto. E há algo de errado nisso? Não, não há nada de errado em criticar e se opor aos entorpecentes, pois eles são potencializadores do lado negro do ser humano. 
Caso tenha estômago e coragem, analise algumas das estatísticas de mortes de jovens no país e verá que a maioria - e não estou exagerando - ocorre após o uso de produtos que tiram o ser humano de seu estado normal. Drogas são um câncer e matam mais do que guerras.
Mas o que diferencia essas drogas ilícitas das que são comercializadas normalmente? Por que é correto comprar o cigarro, a cerveja, o whisky ou a cachaça? O fato de pagarem impostos e serem comercializadas em estabelecimentos como bancas de jornais, bares ou restaurantes dimunuem os estragos produzidos por elas?
Os acidentes provocados em estradas e nas cidades por causa do uso do álcool são cada vez mais frequentes. Vidas são destruídas em fração de segundos. Acrescentemos a isso os incontáveis prejuízos dos que passarão por anos de fisioterapia ou tratamento para recuperarem-se dos estragos sofridos. 
Junte a esses problemas os inúmeros traumas psicológicos gerados pelo descontrole causado pelas bebidas alcoólicas: famílias desestruturadas, brigas, violência, dependência química, péssimos exemplos aos filhos e até a morte. Mesmo pagando seus impostos e não recebendo o título de 'droga', as bebidas alcóolicas, tão comuns nas baladas e comemorações, são responsáveis diretas pela morte de milhares de pessoas todos os anos. Acrescente outros milhares de homens e mulheres com sequelas provocadas pelos atos descontrolados dos usuários.
E o que falar dos cigarros? Hospitais recebem, tratam e, eventualmente, perdem milhares de pacientes que fizeram uso do cigarro. Eles são tão viciados quanto os usuários de crack, cocaína e maconha. Entretanto, seus fornecedores não sofrem quaisquer represálias da polícia ou de qualquer órgão repressor. São vendidos livremente e até para crianças, mesmo diante de uma lei que proíba tal ato. O fato é que existe uma fiscalização forte, porém nem sempre eficiente, contra o tráfico de drogas e, em contrapartida, não há quaisquer impecilhos para comprar, vender e usar o cigarro. 
E quais conclusões pode-se tirar disto? O Governo não reprime quem lhe dá lucro. As rídiculas propagandas no fundo dos maços de cigarro de nada servem. As Operações da Lei Seca tornaram-se grandes fontes de renda para os governantes, ainda que essa ação seja louvável e tenha obtido ótimos resultados. Nossos jovens continuam tendo acesso em baladas a todo tipo de bebida, drogas e cigarro. Esse acesso tem seu preço: morte, brigas, vício, acidentes, estupros e uma infinidade de problemas de igual porte ou piores. Esse é o preço que a sociedade paga quando os governos recebem para não proibir. 
Não pensem que sou um repressor. Não apóio as proibições, contudo é inegável que o câncer, o alcoolismo e a morte rondam as famílias dos usuários desses produtos que cumprem com seus deveres e pagam aquilo que a lei cobra. São legais perante as leis, porém são tão criminosas quanto um indivíduo que pega uma arma e atira contra um inocente.
São palavras duras e que poderiam ser evitadas, já que irão ofender muitos. Mas a verdade é uma: a omissão também é um crime.



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