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segunda-feira, 5 de maio de 2014

E quando a Copa acabar?





Muitos aguardam ansiosamente pela Copa do Mundo de 2014. Sediada no Brasil, um dos países emergentes cujos investimentos para receber as Federações de futebol classificadas ultrapassam - segundo a revista Veja - o valor de 9 bilhões de reais, praticamente quatro vezes o que era estimado à época em que o país foi selecionado para sediar o evento. Em contrapartida, o governo federal investiu apenas 3,9 bilhões de reais na saúde, como informou o UOL com base no portal SIAFI do governo.
Estádios foram construídos (alguns ainda estão em construção), áreas urbanas foram reformuladas em prol dos jogos e das "arenas", a vida de milhões de brasileiros foi afetada negativamente e, infelizmente, o retorno para tantos investimentos pode ser nulo. 
E o que você, brasileiro comum, irá ganhar com isso? E quando a Copa acabar?
É impossível não imaginar o que ocorrerá com complexos esportivos criados para a Copa quando esta terminar. O retorno de tamanho investimento é algo que está cada vez mais distante, principalmente quando observamos que os estádios foram reformados ou construídos para uma elite, para os que possuem uma renda muito acima daquela que os meros mortais recebem. Quantos brasileiros das classes C e D irão assistir aos jogos? Quantos deixarão de comprar alimentos para prestigiar uma seleção que não tem ciência das necessidades reais dos menos favorecidos? É muito fácil colocar Pelé e Ronaldo para incentivar a participação do povo brasileiro nos eventos, inclusive como voluntários não-remunerados, mas a dificuldade em admitir que a beleza da Copa será ofuscada pela feiúra de uma realidade árdua, propiciada pelo descaso dos governantes e dos empresários é aquilo que os beneficiados pela Copa do Mundo jamais admitirão.
Gosto de futebol. Não vejo nada de negativo no esporte que une multidões. Sem dúvidas há muito positivo nele e em outros esportes. Mas onde há dinheiro, sempre haverá corrupção. Poucos lucraram fortunas, verbas foram desviadas, o turismo no Brasil está em risco e, ainda assim, o que restará quando as luzes dos estádios forem apagadas? Não há como ser otimista diante de um investimento tão grandioso em prol de algo que não deixará espólio positivo para o povo. 
Torço para que o Brasil um dia invista tanto dinheiro em segurança, saúde, transporte e educação como fez agora, dando ao nosso país um verdadeiro padrão Fifa de excelência pública. Diante de uma política que menospreza todos os problemas internos em detrimento de publicidade externa e auto-divulgação, o que podemos esperar?
Enquanto a bola rolar, políticos estarão fazendo acordos, verbas continuarão a ser desviadas, doentes morrerão por falta de atendimento e a violência continuará disfarçada em UPP instaladas estrategicamente nas proximidades dos jogos, apenas para citar. Quando a Copa acabar, a euforia diminuir e os calos voltarem a apertar, de quem cobraremos essa fortuna desperdiçada?
Não quero ser pessimista. Contudo, há como ser otimista?
 


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