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quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Feminista é ameaçada após criticar papel de mulheres em games




Texto: Kevin Rawlinson. Comentários: Franz Lima.

Mais de 2 mil pessoas assinaram uma carta aberta pedindo o fim da discriminação de gênero na indústria de videogames.
O documento, assinado por profissionais independentes e de grandes empresas de jogos, como Electronic Arts e Ubisoft, foi uma resposta às ameaças de morte feitas à crítica feminista Anita Sarkeesian depois que ela lançou uma série de vídeos sobre a misoginia (ódio às mulheres) nos jogos.
Sarkeesian denunciou as ameaças à polícia e diz que se viu forçada a deixar sua casa. Ela afirmou que as ameaças são "um tipo de terrorismo".
A carta pede para que jogadores e demais envolvidos na indústria dos videogames denunciem "discursos de ódio e assédio".

Tomada de posição

Anita Sarkeesian é a criadora do site Feminist Frequency, em que discute a representação das mulheres em narrativas da cultura pop.
No dia 25 de agosto, ela divulgou o episódio mais recente de sua série sobre a maneira como mulheres são retratadas em videogames.
No vídeo, ela fala sobre a tendência de mostrar "personagens femininos geralmente insignificantes e com os quais não se pode jogar, cuja sexualidade ou vitimização é explorada de modo a dar um tempero provocativo ou picante aos universos dos games".
Dois dias após a publicação do vídeo, ela disse ter recebido "ameaças muito assustadoras" a ela e a sua família no Twitter, que a levaram a entrar em contato com a polícia.
A carta, que foi escrita pelo desenvolvedor de games Andreas Zecher, do estúdio independente Spaces of Play, incentiva pessoas que testemunhem ameaças em sites como Twitch, Facebook e Twitter - entre outros - a denunciá-las.
"Se você vir discurso de ódio e assédio, tome uma posição publicamente contra isso e transforme a comunidade dos jogos em um espaço mais agradável", diz o documento.
"Acreditamos que todos, não importa o gênero, a orientação sexual, a etnia, a religião ou se são portadores de deficiência, tem o direito de jogar, de criticar os jogos e de desenvolver jogos sem ser assediado ou ameaçado. É a diversidade da nossa comunidade que permite que os jogos prosperem."

'Não vou desistir'

Em seu perfil de Twitter, Sarkeesian compartilha imagens dos insultos e ameaças que recebe. Algumas das imagens sugerem que o autor das ameaças sabe onde ela mora.
Ela disse que ficará hospedada com amigos porque não se sente segura em sua casa. "Eu não vou desistir, mas o assédio às mulheres no meio da tecnologia tem que acabar", escreveu.
Na rede social, ela também afirma que os policiais que a atenderam "não sabem lidar com ameaças reais feitas online". Oficiais teriam perguntado a ela: "Se você continua recebendo ameças por causa do seu trabalho, por que não para?".
A ativista já foi alvo de misoginia em outras ocasiões. Em 2012, um jogo em primeira pessoa chamado Espanque Anita Sarkeesian foi publicado online.
No início de 2014, ela ganhou o prêmio de embaixadora do evento anual Game Developers Choice. O prêmio é destinado a pessoas que "ajudaram a indústria de games a avançar e se tornar um lugar melhor, seja facilitando a melhora da comunidade de dentro ou atuando de fora da indústria como defensor dos videogames".


Franz diz: os extremistas gamers são tão perigosos quanto os alvos que eles caçam nos games. A posição feminista de Anita pode parecer preconceituosa para alguns, porém não há como discordar que a sensualização das personagens femininas nos games, propagandas, filmes e outras mídias está exagerada. Afinal, qual a lógica de uma mulher usando um sutiã e uma minúscula calcinha em uma selva, na Sibéria ou outra área onde isso é impossível? Será que elas tem os mesmos poderes das periguetes brasileiras que sobrevivem ao frio polar com suas peças ínfimas? 
Brincadeiras à parte, o fato é que Anita tem seus direitos, assim como os gamers que idolatram as personagens seminuas, mas isso não é motivo para assédio, ameaças ou ódio. 
Depois ficam se perguntando o porquê da dificuldade em acabar com o conflito entre palestinos e israelenses. Intransigência. Só isso.  


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