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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

No papel de uma soropositiva, Deborah Secco reflete sobre a vida.





Fonte: G1. Comentários: Franz Lima
Aos 34 anos, Deborah Secco alcança a atriz que sempre quis ser. Ela conta ao G1 que seu papel no filme "Boa sorte", que tem última sessão na Mostra Internacional de Cinema de SP nesta terça-feira (21) e estreia dia 20 de novembro, mudou sua vida. "Ele fez entender minha finitude e a possibilidade da morte a qualquer instante. Fez com que eu repensasse tudo", diz. Deborah, que atualmente está na novela das seis "Boogie Oogie", da TV Globo, já atuou em filmes como "Caramuru: A invenção do Brasil" e "Meu tio matou um cara", mas se consagrou como protagonista de "Bruna surfistinha" (2011), em que interpreta a história real da ex-garota de programa Raquel Pacheco.
Em "Boa sorte" ela vive Judite, uma viciada em drogas e portadora de HIV, que se envolve com João (João Pedro Zappa), um garoto com problemas de comportamento. Os dois se conhecem numa clínica de reabilitação e vivem um romance transformador. Dirigido por Carolina Jabor ("O mistério do samba"), o drama recebeu os prêmios de melhor filme (júri popular) e direção de arte no Festival de Paulínia desse ano. 
G1 - No Festival de Paulínia você disse que o 'Boa sorte' é o seu maior trabalho. Você também já comentou que a Bruna surfistinha foi 'a personagem da sua vida'. Como você relaciona esses dois papéis no cinema?

Deborah Secco - A Judite [do "Boa Sorte"] mudou a minha vida. Essa é a atriz que eu quero ser. Esse filme mudou a forma de eu viver. Ele fez entender minha finitude e a possibilidade da morte a qualquer instante. Fez com que eu repensasse tudo. A Bruna foi um papel muito importante para me ensinar a não julgar. Me ensinou a não olhar o próximo achando que ele teve as mesmas condições de escolhas que eu tive. São dois filmes muito importantes tanto artisticamente quanto para a Deborah pessoa. Tive um amadurecimento pessoal. Foram dois filmes que mexeram muito comigo. Hoje eu sou uma pessoa completamente diferente.

G1 - Qual foi o maior desafio para mergulhar na personagem? Foi ter que emagrecer ou entender como vive alguém que tem HIV?

Deborah - É muito mais fácil emagrecer que entender pelo o que passa um portador de HIV. É muito difícil juntar na personagem coisas tão ambíguas porque a Judite tem a alegria e a tristeza muito presentes. Ela tem a morte muito presente. Então, ela é uma personagem cujo olhar já não está mais aqui. Já está indo para outro plano. É um olhar mais vazio, mas cheio de uma outra vida. Isso fui descobrindo fazendo o filme.

G1 - No filme 'A despedida', a personagem da Juliana Paes é amante de um homem 50 anos mais velho. E no 'Boa sorte', sua personagem tem um caso com um garoto mais novo. Como você acha que essas histórias são vistas pelo público?

Deborah - Acho que o amor não tem idade, não tem cor, não tem classe. Temos que parar de pensar assim e nos deixar levar pelo verdadeiro amor, pelo que a gente pensa que é amor, a gente seria realmente muito mais feliz. Nosso país seria muito mais feliz. As pessoas têm que parar de ligar para o que os outros pensam delas.

G1 - Esse é o primeiro longa de ficção da Carolina Jabor e o 'Bruna surfistinha' foi o primeiro do Marcus Baldini. Você acha mais interessante trabalhar em filmes de diretores estreantes?

Deborah - Na verdade aconteceu. Mas tanto a Carolina quanto o Baldini já eram diretores muito experientes apesar de ser o primeiro longa de ficção. Mas eu tenho vontade de trabalhar com tantos diretores que já fizeram tantas coisas. Não tenho essa predileção, mas acredito muito em diretores estreantes. Não acredito que a falta de experiência seja um problema. Pelo contrário, acho que às vezes pode render uma bela surpresa.

G1 - Os papéis que você escolhe para o cinema são totalmente diferentes do que você faz em novelas. Você diria que são formas distintas de realização profissional?
Deborah - Na televisão eu fui muito mais escolhida do que escolhi. Agora eu estou dando um passo para poder também escolher na televisão. Tenho muitas conversas com a TV Globo e a gente tem essa consciência de que é bom para todo mundo que a gente possa escolher para ter uma dedicação e entrega maiores. No cinema eu pude ter essa possibilidade antes. Mas acho que eu sempre busquei isso, a possibilidade de fazer o que eu acredito artisticamente. E acho que hoje eu estou chegando mais perto disso. Tenho brigado muito por isso. Essa é a minha maior busca atualmente.

Franz diz: há um preço a se pagar pela arte. Tom Hanks, Christian Bale, Daniel de Oliveira, Rodrigo Santoro e muitos outros atores passaram por privações para compor suas personagens. O resultado visual quase sempre fica muito bom, porém é na interpretação (auxiliada pela aparência, óbvio) que o ator dá lugar ao papel interpretado. 
Dar vida a um soropositivo pode ser algo brutal, pois muito do sofrimento dos portadores da Aids é minimizado pelo descaso da mídia e também pela sensação de segurança que a longevidade, fruto dos medicamentos, pode trazer.
Viver (ou sobreviver?) com uma doença mortal pode ser absolutamente destrutivo para alguém com a mente menos preparada para algo tão complexo. Ser uma pessoa sadia e transferir mente e corpo para uma personagem afetada pelo vírus da Aids é uma experiência, no mínimo, extenuante. 
Espero que esta obra cinematográfica seja tão boa quanto as divulgações passaram. Creio que Deborah acertou a mão na escolha deste papel.

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