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terça-feira, 25 de novembro de 2014

Gravidade. Análise do filme que quase deu o Oscar de melhor atriz a Sandra Bullock





Um filme se sustenta com apenas uma pessoa? Para responder a isso, basta lembrar de Náufrago, com Tom Hanks. Mas o que esperar de um filme que aborda a exploração espacial, a tragédia, uma corrida contra o tempo, morte e, principalmente, a solidão? Inicialmente, eu pouco aguardei, mesmo diante das opiniões favoráveis de outros e, tal como Tomé, paguei para ver.
E eu pagaria novamente, se necessário...

Gravidade é um filme que misturou de forma ímpar a ação, o drama psicológico e a ficção. Valendo-se de recursos modernos e do talento da dupla George Clooney e Sandra Bullock, Alfonso Cuáron obteve uma obra bem dosada naquilo que se propôs. 
Há tensão desde o primeiro minuto de filme. Isolados no espaço, um grupo de especialistas presta apoio para uma estação espacial, indiferentes à tragédia que se encaminha em alta velocidade a eles. Literalmente.
Mas não é sobre uma tragédia que o filme trata. Isso é apenas a ponta do iceberg. É de uma fatalidade que se inicia uma jornada de autoconhecimento. É da solidão inconcebível do espaço que vemos uma mulher lutar por cada segundo de vida contra um inimigo capaz de trazer à tona todos os medos adormecidos. Não há fuga. Não há quem ampare ou dê consolo. Resta apenas a vontade de viver...

Morte e vida: a esperança separando-os.

Nada é mais assombroso que a proximidade da morte, exceto quando esta vem acompanhada da solidão. Sandra Bullock interpreta de forma perfeita uma mulher que está presa em uma situação onde só a fé, mesclada ao medo do desconhecido, pode gerar a força de vontade para tentar não sucumbir ao abandono da própria esperança. Reforço que há muito mais do que um filme catástrofe. Gravidade é uma obra que aborda (brilhantemente) a esperança e as forças que dela brotam.


Silêncio

Explosões, corpos vagando, morte e caos. Tudo isso pode parecer aterrorizante, porém Alfonso Cuarón mostra uma outra face do medo: o silêncio. Sandra inicia a trama com a companhia de um amigo e outros pesquisadores espaciais e essa situação muda drasticamente por conta de um acidente.  Não há outra ambientação que não seja o espaço, um lugar onde o tempo, o ar, as chances de sobrevivência e a esperança são cada vez mais escassos. Neste ambiente inóspito, a doutora Ryan Stone se depara com algo que pode ser ainda mais perturbador: o silêncio.
Caso tenham dúvidas sobre o poder enlouquecedor dele, basta se isolarem por uma hora. A sensação é, no mínimo, incômoda.
É em meio a isso tudo (e também a nada) que uma guerra interna é travada. Antes de confrontar a natureza e sua magnitude, a doutora é obrigada a encarar suas fragilidades frente a algo inimaginável para uma pessoa comum.

Antes do caos...

O começo de Gravidade é interessante por mostrar algo que já é comum para nós: a experiência espacial. Documentários, filmes e o próprio Youtube mostram várias cenas similares. Entretanto, Gravidade supera as cenas das mídias que citei, pois o ritmo oscila entre a calmaria inicial (onde cada segundo da Terra e do espaço são mostrados com uma riqueza de detalhes inacreditável) e o caos provocado por um acidente (no qual vivenciamos o desespero dos personagens e, sobretudo, sua impotência diante do incontrolável)
O filme de Alfonso Cuarón começa com um diálogo entre o personagem de George Clooney (Tenente Matt Kowalski) e a Dra. Stone (Sandra Bullock). Há um clima de descontração que é contrastado levemente pela preocupação do Tenente quanto à segurança da missão, ainda que em forma de brincadeira. Mas ambos jamais adivinhariam o que estava por vir.
Mesmo diferentes em muitos aspectos, é impressionante a forma como os personagens - em poucos minutos - reforçaram seus laços afetivos. É dessa 'união' que ganhamos um dos mais emocionantes momentos do filme. É dessa amizade que Alfonso criou uma passagem marcante e cheia de esperança. 




A vida por um fio.

Esse subtítulo não é à toa. Literalmente a vida de Sandra Bullock fica por um fio, diversas vezes. Mas o mais evidente fio, durante toda a narrativa, é a esperança. Toda a narrativa se volta a exaltar a necessidade de manter a esperança, não importa o quanto isso possa parecer difícil.
Agora tente ampliar uma situação catastrófica à enésima potência. É essa a situação que a doutora Stone se depara. Como citei no início da resenha, a comparação com Náufrago pode até surgir, porém o isolamento é outro, infinitamente maior, e os perigos ganham força quando o ambiente domina o ser humano. Ao contrário da praia onde Tom Hanks permaneceu isolado, cujo ambiente, por mais inóspito que fosse, fornecia subsídios para sobreviver, Sandra tem que sofrer com a morte quase certa. Sem a esperança, sua personagem não tem motivos ou chances de escape. Ela está isolada, com pouco ar, presa no espaço e com uma única rota de fuga: a volta à Terra, mas sem os recursos, o conhecimento e a experiência necessários para que isso ocorra sem o acompanhamento da morte. 
A tensão ronda cada segundo do filme. E é a esperança que mantém a vontade de viver. Acreditem, vocês irão torcer para que o fio não se rompa...


Notas finais.

Gravidade é, em sua maior parte, um filme de um único elemento, porém é preciso considerar que a natureza (o espaço) atua como se houvesse muitos atores para contracenar com a doutora Stone. A dinâmica e a ação quase ininterruptas prendem o espectador à poltrona. Obviamente que isso não implica em reduzir o filme para o gênero "ação". A profundidade e as reflexões embutidas em inúmeras cenas conduzem o público a esferas que comumente não chegaria. 
Outro ponto positivo está na parte técnica que cria um ambiente 'real' aos olhos do espectador. Vocês irão finalizar o filme e acreditar na magnitude de Deus ou no brilhantismo humano. Vocês retornarão ao papel de torcedores, pois não há outra definição mais correta. 
Mesmo que o impossível esteja diante de seus olhos, sei que cada coração irá pedir para que a jornada solitária e terrível da doutora Stone finde da melhor forma possível.
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