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terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Review da graphic novel "Legião", de Salvador Sanz.




A simples expressão "Legião" já causa um certo impacto, muito disso, talvez, por causa da passagem bíblica. Mas essa é outra história...
Legião é mais uma obra do fantástico ilustrador Salvador Sanz (que também assina o roteiro). A graphic novel é uma ode ao horror no melhor estilo H.P. Lovecraft. 
Eu, assim como muitos, estou mal acostumado. Comecei a ler esta história ainda com a sensação de que havia esperança. Cinema, quadrinhos ou seja lá quais forem as referências, o fato é que faz tempo em que não vejo/leio algo onde o mal prevalece do início ao fim (não se assustem, isto não estraga a trama). 
Sanz traduz um horror de forma visceral. Suas imagens são impactantes e não poupam ninguém. Personagens morrem com uma facilidade só vista em Game of Thrones. O mal, nesta obra, é mais plausível que em Hellraiser, principalmente quando o assunto é poder.
Resumindo, entre de cabeça nesta trama, porém sem os arquétipos e estereótipos de filmes de terror ou de outras HQ. 

O roteiro

A trama está muito bem elaborada, ainda que eu a tenha achado curta. Os personagens são bons, porém não há aprofundamento, fruto da ação rápida que o autor impõe ao leitor. De qualquer forma, eu gostaria demais que essa narrativa fosse alongada, apesar das 60 páginas. A verdade é que devorei esta graphic em poucos minutos. Eu li como se algo estivesse me hipnotizando... e isso é ótimo.
A história se passa na Argentina. Lá, o caos se instaura com velocidade assustadora. Nada pode deter o mal que assumiu as rédeas do destino de todos os moradores, incluindo o poder sobre a vida e a morte. 
Inicialmente, uma mulher descobre uma nova cor, cujo nome é por si só, sugestivo: ultramal. Em paralelo a isso, outros fatos são somados e geram uma espécie de portal para o inferno. Mas não interrompemos a narrativa aí. Há criaturas que buscam as peças para completar esse portal. Tem início uma busca que não poupará crianças ou inocentes. 
Não vou entregar mais do roteiro, porém posso afirmar que há coerência na proposta de Sanz, talvez até mais do que em Hellraiser, já que os demônios são maus em níveis indizíveis e fortes a ponto de massacrar uma cidade inteira. 
Atentem para o final, quando as peças se encaixam. Lá vocês descobrirão que o roteiro é melhor do que aparentava.
Lasciate ogni speranza, voi che entrate. A Divina Comédia - Dante Alighieri 
Colorização e desenhos

Os desenhos são muito bons, mesmo que não haja o realismo de um Alex Ross. Eu vi os desenhos como um ponto muito atrativo da obra, principalmente quando são retratados os monstros, demônios e edifícios e esculturas demoníacas. Na verdade, há passagens que lembram muito os trabalhos de H. R. Gigger. 
A colorização é outro ponto forte da trama. A maioria dos quadros é composta de preto e branco. Há nuances onde o azul e o cinza também atuam em consonância com o branco. Em algumas partes, porém, há o destaque para o vermelho, criando um ambiente tenso e sombrio, também sendo usado para evidenciar algum personagem ou passagem. 

A Graphic Novel

Legião surpreende pelo apuro da editora Zarabatana Books. A capa é cartonada, as páginas são em papel couchê e o acabamento está impecável. 
Um sketchbook com as artes de alguns personagens dão uma ideia da dimensão do trabalho de Salvador, algo que fará com que valorizem ainda mais a revista. 
O Apogeu recomenda a leitura desta ótima obra dos quadrinhos.




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