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Mulher-Maravilha: Sangue. Resenha por Filipe Gomes Sena.

Por: Filipe Gomes Sena. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.
           
          O ano era 2011. A DC Comics tinha anunciado uma grande reformulação editorial com o sugestivo nome de Os Novos 52. Além de ouvir algumas dezenas de milhares de vezes a palavra “reboot”, naquele ano eu ouvi uma coisa que até um tempo desse me deixava muito curioso: Brian Azzarello estaria à frente do título da Mulher-Maravilha. No ano de 2016 eu finalmente matei minha curiosidade. Foi lançado o primeiro volume da elogiada fase de Brian como roteirista da Mulher-Maravilha dos Novos 52. Estou falando de Mulher-Maravilha: Sangue.
           
Sangue compila em suas 164 páginas os seis primeiros números do título nos Novos 52. O encadernado de capa dura e papel couché está com o preço camarada de R$ 29,90, o que na minha opinião é um preço justo para uma edição com essa qualidade. Vale lembrar que, assim como os encadernados do Batman, Flash, Aquaman e Superman, essas edições já foram publicadas por aqui em formato mensal, no caso da Mulher-Maravilha as histórias foram anteriormente publicadas no mix Universo DC.
            Os roteiros são assinados por Brian Azarello, que até um tempo atrás era pra mim só “o cara do 100 Balas”, mas além dessa maravilhosa série da Vertigo, ele também é conhecido por títulos como Hellblazer, Loveless, Coringa, Lex Luthor: Homem de Aço, Antes de Watchmen: Rorschach, Antes de Watchmen: Comediante e mais recentemente por Cavaleiro das Trevas III: A Raça Superior. Ele permaneceu à frente do periódico da Mulher-Maravilha até a edição 23 e é considerado como um dos poucos autores que fez um trabalho realmente bom no título da princesa das amazonas.
           

A primeira coisa que me chamou a atenção em Mulher-Maravilha: Sangue foi que esse arco de história consegue ser um arco de origem sem ser exatamente um arco de origem. Logo no início temos Zola sendo salva por Hermes de um ataque de dois centauros. Como última alternativa, Hermes manda a moça pedir auxílio para a Princesa Diana e assim a nossa heroína acaba se metendo em uma confusão em proporções olimpianas. Zola está grávida de Zeus e é justamente Hera quem está atrás dela.
            No decorrer da história a origem da guerreira amazona é contada através de flashbacks, inclusive cabe ressaltar que aqui a origem é apresentada só para ser desconstruída. Não só uma versão nova da gênese da personagem é apresentada, mas fica claro que a vida de Diana na Ilha Paraíso não era essa maravilha toda. Porém não é só ela que é apresentada nesse primeiro arco, talvez o personagem mais interessante seja o pano de fundo mitológico criado por Azzarello para ambientar essa história. Deuses, semideuses, monstros e derivados aparecem a todo instante e o destaque nem vai tanto para a presença deles, mas sim para o design dos personagens mitológicos.
            Os deuses gregos dos Novos 52 merecem ser comentados. Praticamente todos eles têm uma caracterização que mistura a fisionomia humana com algum traço marcante, seja um elemento estético forte ou semelhanças com animais. Seja Hera com seu manto feito de penas de pavão, Apolo com sua pele que mais parece carvão, Hermes com sua semelhança com os pássaros, Hades com a cabeça coberta por velas, Ares (que é a cara do nosso amigo Azzarello) com suas roupas cobertas de sangue ou Poseidon como um dos melhores monstros marinhos que eu já vi na minha vida. Todos têm uma identidade visual muito marcante e que foge totalmente das representações clássicas dos deuses gregos.
           
Aproveitando a deixa sobre o design dos personagens, farei um breve comentário sobre a arte. A arte das quatro primeiras partes é de Cliff Chiang e das duas últimas é de Tony Akins. Quando eu li pela primeira vez esse detalhe passou despercebido, mas dando uma olhada melhor fica clara a superioridade da arte de Cliff Chiang. A impressão que eu tive é que Akins tenta simular o estilo de Chiang mas não é tão bem sucedido. Mesmo assim a diferença dos dois se resume ao traço, a narrativa visual não é tão diferente.

            Por fim gostaria de dizer que o meu desejo é que os próximos volumes que compõem essa fase não demorem muito para ser publicados. Sangue acaba não sendo uma leitura tão satisfatória pelo simples fato de eu não ter ideia de quando poderei ver a continuação dessa história. O arco termina com um gancho cabuloso e eu fiquei doido pra ler o resto, mas minha ansiedade esbarra no medo da periodicidade desse título. Sabemos que não é raro ter títulos praticamente esquecidos no nosso querido mercado brasileiro, mas continuamos torcendo pelo melhor. Afinal o leitor merece a chance de pôr as mãos em um material tão maravilhoso.

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