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sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

É uma pena, mas esse novo filme do Pica-Pau não será bom.




Essa é uma declaração que faço sem a menor vontade, porém é verdadeira. Com base no teaser trailer do filme que mistura personagens reais com animação digital do Pica-Pau, concluo que não teremos um bom filme. Talvez algumas crianças, fãs atuais, curtam o filme, algo difícil de ocorrer com os mais velhos. Por que? Explico, mas peço que vejam o teaser abaixo para compreender melhor.

Texto: Franz Lima
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Falta de ousadia. 

Em tempos do politicamente correto e, muitas vezes chato, deixaram de lado a alucinada conduta do Pica-Pau. Isso já ocorreu com outras produções como Star Wars, Zé Colméia e muitas mais. Até compreendo que estamos em um tempo mais brando (nas animações), mas isso não justifica deixar de lado algo que ampliaria vertiginosamente o público do filme. Querem fazer um filme para crianças? Querem ter um personagem que possa virar brinquedo do McDonalds? Então, usem um personagem novo, feito para isso. O passado dele não pode ser descartado e isso não é conversa de fã velho. Meus filhos conhecem essa faceta sinistra, sarcástica e divertida do personagem e aprenderam a amá-la, assim como centenas de milhares de outras crianças pelo mundo. 
Apesar desse jeito alucinado, o Pica-Pau mostrava às crianças que não era preciso ser um tolo para ser incluído em qualquer grupo. O jeito moleque e sua malandragem faziam parte de sua personalidade, sem que isso o tornasse mal. E foi com essa personalidade que ele escapou dos ardis do Zeca Urubu, das tentativas de assassinato do Zé Jacaré e até de bruxas e bandidos. 
Há uma moral embutida em muitas de suas histórias, tal como aconteceu no episódio em que ele se nega a ir para o sul quando o inverno está chegando e acaba sem comida, rindo para a fome ou quando também por causa do inverno, ele se humilha pedindo comida aos vizinhos que negam. Mas sabem o que há por trás dessas histórias? Assim que ele passa pela situação ruim, sua índole volta a se manifestar. Tal como nós, humanos, ele tem memória curta para as lições da vida e, inevitavelmente, volta a errar.
O Pica-Pau destruiu florestas, tentou devorar um lobo, já desafiou a polícia e até prendeu bandidos. Ele é alguém com altos e baixos, mas nunca um “coadjuvante de luxo” em um filme com seres humanos. Isso aconteceu com os Smurfs, Zé Colmeia, Alvin e os esquilos e até Garfield. Perdeu-se muito da essência dos personagens. 

Onde estão os outros personagens? 

Por que não colocar uma animação digital onde Leôncio, Zeca Urubu, Andy Panda, Zé Jacaré, Pé de Pano e outros personagens importantíssimos do universo dele estejam presentes? 
O teaser trailer mostra que teremos uma versão de Esqueceram de Mim onde o atormentador será o Pica-Pau, porém com o humor previsível que assistimos em pegadinhas e humorísticos de baixa renda nacionais ou internacionais. 
Já que há personagens humanos, o que impediu os produtores de colocar eles interpretando o cientista maluco do desenho do Puxa Frango, Dooley, o dr. Hans Chucrutes ou até a Meany Ranheta? E o que impediu-os de homenagear personagens consagrados e inesquecíveis como o corvo Jubileu, o Morcego, a “Linda Garota” que se casou com o Pica-Pau e tantos outros de um universo rico e cheios de nuances. 
Não faltam referências e personagens, mas os produtores preferiram fazer desse filme outra forma de ganhar dinheiro investindo pouco. Atores medianos, roteiro simplório e o uso de um personagem de peso são garantia de bilheteria, uso de imagem em produtos e, consequentemente, lucro.
Essas são as razões que me levam a antecipar que o Pica-Pau nos cinemas será uma decepção. Talvez não para o público que só acompanha as histórias atuais sem graça, mas certamente o público que teve o prazer de ver as histórias antigas ou os que as buscaram ficarão com a sensação de que muito mais poderia ser feito.

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