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quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

O Quarto de Jack. Review de um impactante e inspirador filme.




O Quarto de Jack é o filme baseado no livro Room, da autora Emma Donoghue. A atriz Brie Larson foi agraciada com o Oscar de melhor atriz, mas é fato que o menino Jacob Tremblay também era merecedor de uma estatueta por sua convincente atuação. Agora, fiquem com o review completo dessa instigante e inesquecível obra cinematográfica.

ATENÇÃO!!! Só prossiga se tiver visto o filme. Cada segundo dele é uma nova descoberta e a antecipação de trechos do enredo pode prejudicar sua experiência.

Texto: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.

O filme começa com uma mulher e uma criança. A criança, Jack, acabou de completar 5 anos de idade. Aparentemente, mãe e filho estão em uma espécie de cárcere. A mulher é extremamente zelosa, mesmo diante das condições restritas que lhe são dadas. Eles vivem bem para quem mora em um ambiente com algo perto de 9 metros quadrados.
A rotina é cansativa, repetitiva. Mesmo diante disso, a mulher procura dar sentido ao isolamento dela e do menino. Eles conversam, veem TV e se exercitam. Vez ou outra recebem a visita de um misterioso homem. Eu comecei a ver o filme sem que ter noção do que se tratava a história. Com pouco mais de 20 minutos o novelo começa a se desenrolar. É estranho compreender do quê estamos diante. Muito estranho.
Jack não conhece nada do mundo além daquilo que vê na TV ou as coisas contadas por sua mãe. Algumas vezes, ele é o narrador da história e mostra a inocência em suas palavras. É um menino que vive apenas com a mãe, mas não ostenta a solidão que isso traria a outra pessoa... pelo menos na maioria das vezes. Em outras ocasiões, infelizmente, a solidão o atinge com a força de um carro. É triste ver um menininho sofrendo em um quarto, isolado de tudo o que a infância pode proporcionar. Mais triste ainda é contemplar, sem nada poder fazer, a mãe em suas tentativas frustradas para livrar o menino de sua situação. Para o espectador, a claustrofobia e o receio de que algo de ruim aconteça a eles é terrível. Os sentimentos oscilam entre o medo, a pena e a raiva.
Na continuidade do filme, a mãe assume um grande risco e tenta remover seu filho daquele mundo frio e pequeno. Jack sai da casa de uma forma engenhosa e, finalmente, a roda da fortuna começa a girar para ele e sua jovem mãe. Nessas cenas, somos brindados com duas atuações fortíssimas tanto do ator que interpreta Jack (e convence muito), quanto por parte da atriz Brie Larson que merecidamente ganhou o Oscar de melhor atriz.


A vida dos dois muda radicalmente. A adaptação, principalmente para Jack, é incrivelmente difícil. Basta imaginar que se trata de uma criança criada em cativeiro, vítima de um maníaco que estuprou sua mãe e os manteve presos. No mundo real, Jack não compreende boa parte do que acontece pois, infelizmente, ele não viveu para aprender sobre as situações que agora vive. Nessa parte, novamente se destaca o ator mirim xxx por sua narração que dá vida e veracidade ao que está sendo dito.
O que diferencia O Quarto de Jack de outras produções que abordaram o sequestro está na visão após o fato. Quais as sequelas de passar por tanto sofrimento? É possível voltar a ter uma vida normal? E o que dizer quando sua vida normal estava ligada ao seu cárcere? Essas questões vem e voltam a partir da metade do filme, sempre de forma impactante, real e reflexiva.
Há ainda outras cenas que ampliam a complexidade da narrativa e demonstram o quanto o roteiro está bem amarrado: a mãe de Jack, Joy, passa a conviver com a sensação de incapacidade não só por causa do cativeiro, mas por conta de seu despreparo emocional. Não há sentimentalismo barato nesse filme, apenas a visualização de uma realidade dura e brutal que pode parecer chocante para os espectadores, porém foi indispensável para moldar uma parcela da personalidade de Jack e sua mãe.
Tragédias não afetam apenas as vítimas, essa é uma lição deixada pelo roteiro de O Quarto de Jack. Todos que estão próximos às pessoas afetadas pelo fato trágico serão atingidas com igual ou maior força. A vida não é um filme com final feliz, elucida a trama do filme, porém é possível viver as menores alegrias e tirar o melhor das coisas ruins. Estamos em constante aprendizado e é assim que cresceremos como seres humanos. Jack e sua família sofreram demais e tiraram uma cara lição disso tudo: viver intensamente cada segundo.
Por fim, achei bastante inteligente a analogia entre o quarto e a vida de uma pessoa comum. Às vezes, ficamos presos a um status quo, o que não significa que modificar isso será ruim.

Ninguém sairá intacto à experiência de assistir essa obra. Eu continuarei refletindo sobre ela mesmo após anos de publicação desse post. 

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