Superman: Red Son. Uma das melhores animações da DC/Warner.

A Marvel foi a editora que se consagrou com suas histórias dos chamados Elseworlds, os Universos Alternativos, mas uma das melhores histórias sobre “O que aconteceria se…” envolve ninguém menos que o Superman e a visão de um mundo onde o herói teria descido na URSS ao invés de nos EUA.
A trama é uma adaptação da história em quadrinhos “Superman. Entre a Foice e o Martelo” escrita por Mark Millar e desenhada por Dave Johnson, Kilian Plunkett, Andrew Robinson e Walden Wong.
Nesta aventura, a União Soviética recebe o privilégio de ter seu Homem de Aço. Mas nem sempre foi assim, pois o jovem Solnyshka (segundo o Google tradutor, esse nome significa “O Sol”) há pouco descobrira seus poderes. Tal como o Jesus bíblico, ele manifesta seus dons apenas após os 12 anos. Ele tem uma amiga que o “defende” contra os valentões, a jovem Svetlana (alguém lembrou de Lana Lang?).
O tempo passa e Josef Stalin é o detentor do poder e das ações do Superman. O Filho da Rússia obedece seu líder quase cegamente. Sua força e palavras o tornam uma ameaça para os países capitalistas, sobretudo os EUA. Lá, por sua vez, um homem está atento a tudo: Lex Luthor.
Luthor continua um cientista e manipulador. Suas ações são pensadas, calculadas de forma fria e precisa. Ele é capaz de tudo para sobrepujar a ameaça vermelha, mas não em prol da América…

O tempo transcorre e nos deparamos com o fim da ingenuidade do Superman. Diante de fatos apresentados, ele descobre os Gulags e todo o processo de extermínio dos opositores do regime. Ele não aceita e destrói um desses campos de concentração, porém há um garoto que, frente ao corpo de seus pais que morreram por inanição, mostra um ódio incomum.
Assim, frente às atrocidades de seu líder, o herói resolve assumir o poder da forma mais brutal possível. É o início do governo utópico do novo líder soviético.
Os acontecimentos são muito bem entrelaçados. A presença de elementos da Liga da Justiça (Batman, Lanterna Verde, Mulher-Maravilha e outros) mostram que esse universo tem ligações com nosso universo, sem que isso tire o brilho da história inventada.
A cada cena de ação somos presenteados com elementos que dão mais impacto a elas: as trilhas sonoras e a violência como jamais vista na DC.

Poderes.
Essa é uma questão central na história: a luta pelo poder. Superman já tem um poder que lhe é natural. Luthor tem a inteligência para galgar o poder ao longo dos anos. Superman tem o medo e a submissão ao seu lado, enquanto Luthor tem a malícia, a ciência e o povo americano ao seu lado.
Resumidamente, eles passam décadas lutando por mais e mais poder. Mesmo o Superman pleno de certeza sobre a retidão de seus atos não tem a moral suficiente para descansar sua cabeça com tranquilidade na hora de dormir.
A luta por força e influência está mostrada da forma mais correta possível nesta obra.

Personagens da História.
Ver os presidentes americanos retratados me trouxe à memória o presidente mostrado em Batman: O Cavaleiro das Trevas. Kennedy é o mais próximo do real, principalmente por seu jeito cowboy.
As demais aparições mostram personagens históricas, mas dos quadrinhos. Diana, a Mulher-Maravilha, um homem sem nome que assume o manto do Batman, Coronel Jordan é o líder da Tropa dos Lanternas Verdes, Brainiac, Lois Lane, Bizarro e um James B. Olsen negro que permeia a narrativa de forma discreta e, ainda assim, marcante.

O inimigo do meu inimigo.
Mesmo com os piores resultados possíveis, Superman nunca deixou de ser um homem de princípios. Suas intenções eram realmente boas, os resultados, infelizmente, não. Ele começou sua trajetória à frente da URSS como um líder e acabou como um déspota que não percebe as similaridades entre seus atos e o de outros ditadores.
Luthor percebe essa decadência e arquiteta um plano para encerrar a intromissão de um alienígena na política do mundo. Algumas das ações de Luthor (através de seus emissários) provocam muita dor ao Homem de Aço, além de garantir momentos de grande tensão na história (destaque para o encontro entre Superman, Batman e Mulher-Maravilha).
A Trindade da DC.
Neste universo alternativo onde a política é a arma dos grandes líderes, os laços entre Superman, Batman e Mulher-Maravilha são praticamente inexistentes. Os interesses próprios sempre impedem aproximações e, como verão, provocam não apenas a cisão deste grupo, como também a tragédia.
Xadrez.
Há várias reviravoltas na narrativa. Todas elas merecem ser descobertas por vocês, espectadores, porém não há nada que me impeça de adiantar o seguinte: preparem-se para um dos mais elaborados jogos de xadrez em um trama dos quadrinhos (e da animação).

Interesses.

Luthor e Superman têm interesses iguais e muito divergentes. Explico: ambos querem o melhor para seus países, o que não impede que essas intenções provoquem momentos de caos à população e de instabilidade política.
Como sempre, a política é uma arma que quando mal utilizada, sempre deflagra contra o povo. As intenções podem ser boas… o que não implica em dizer que os resultados também o sejam.
Nota final.
Superman: Red Son é uma animação feita de forma corajosa que não pretende poupar o espectador. Baseada em uma das mais consagradas HQ da DC, a história não cometeu erros que afastassem as duas mídias (tal como ocorreu em A Piada Mortal). Os fãs da HQ gostarão, e aqueles que só conhecem a versão em desenho animado certamente buscarão o original dos quadrinhos.
Uma obra para ser vista várias vezes…

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