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Magos do Cubo. Documentário da Netflix mostra os desafios do cubo de Rubik e do autismo.


Tenho certeza absoluta que praticamente todos os leitores deste site já ouviram falar do Cubo Mágico ou - mais profissionalmente falando - o Cubo de Rubik. Um dos mais divertidos e difíceis quebra-cabeça do mundo, o cubo se tornou mania mundial na década de 80, porém data do longínquo ano de 1974.

Um quebra-cabeça tridimensional que exige uma memória fenomenal de quem se propõe a resolvê-lo, além de uma habilidade manual foram do comum. Mas se você já o montou (na configuração 3 x 3) e acha que isso foi o máximo, saiba que há indivíduos no mundo que resolvem outros ainda mais complexos e com um diferencial: numa velocidade absurda. 

Esses gênios da memória muscular e dos algorítimos (sim, eles são fundamentais para resolver o cubo) concorrem em diversos campeonatos ao redor do planeta, mas é no campeonato mundial que o circo realmente pega fogo. 

Em resumo: o cubo 3 x 3 que você demora dias ou até meses para resolver é solucionado por alguns destes prodígios em poucos segundos.

A história dos dois melhores speed cubers do mundo está no documentário da Netflix, Magos do Cubo, que mostra como eles desenvolveram suas habilidades e como se tornaram verdadeiros antagonistas um do outro. Eles são Feliks Zemdegs e Max Park, os caras por trás de diversas quebras de recordes mundiais. 

Certo, esse poderia ser um simples documentário sobre a disputa de dois jovens com capacidades cognitivas e memoriais acima do comum, mas, ainda assim, jovens. Como tais, seria muito fácil esperar uma disputa movida pela pompa de ser o melhor ou o orgulho de superar o outro. Entretanto, a competição entre eles é só uma forma de incentivo mútuo. Quando um alcança um patamar, o outro amplia seus esforços (e sacrifícios) para chegar e ultrapassar esse patamar. Eles são o suporte e o incentivo para continuarem entre os melhores do mundo. Em suma, uma competição sadia que esconde uma amizade honesta e construtiva.

Outro fator importantíssimo nessa história: Max é autista e um fã incondicional de Feliks. Na verdade, Feliks passou a ser um exemplo seguido por Max e, conforme o tempo passava, uma grande amizade surgiu disso. A questão que fica no ar é: a amizade seria superada pela competitividade?


Ao longo do documentário vocês terão a honra de ver o quanto somos capazes de superar nossas limitações. Max é um indivíduo que teoricamente tem total descomprometimento com a interatividade social, porém isso vai sendo desconstruído conforme ele cresce e interage com outras pessoas. Feliks é um indivíduo "normal" que tem capacidade para interagir com outros e possui um carisma fantástico, mas seu maior triunfo é ser o referencial para Max, um autista que encontrou na solução de quebras-cabeça - insolucionáveis para a maioria dos mortais - uma forma de crescer como pessoa, uma chance de expandir e treinar a sociabilidade. Mesmo contra todas as expectativas e estatísticas, Max se mostra cada vez mais maduro e pronto para enfrentar um mundo tão complexo quando o mais intricado cubo de Rubik. Isso, por si só, já serve como incentivo para assistir ao documentário, algo que ganhou vulto para mim por ser pai de um autista.

A narrativa se desenvolve de forma calma. Por sua vez, os dois competidores estão em total alerta e nervosos diante de mais um grande desafio. Seja como for, pelo simples (?) fato de estarem entre os 16 melhores do mundo, eles já são vencedores. Essa vitória é ainda maior quando compreendemos que mesmo sendo garotos de realidades bem diferentes eles, no fundo, são extremamente parecidos.

Com orgulho - pois vi uma produção voltada a exaltar a superação e a amizade -, recomendo a todos que assistam Magos do Cubo, uma obra que certamente despertará a paixão pelo desafio do cubo de Rubik, incentivará os espectadores a buscarem mais de si mesmos e, sobretudo, servirá para nos lembrar que nossos desafios e problemas são, via de regra, pequenos diante de tantos outros no mundo. É hora de agradecer e crescer, nunca reclamar...

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