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segunda-feira, 1 de julho de 2013

Lançamentos da Companhia das Letras. Semana #160.





Pensadores que inventaram o Brasil, de Fernando Henrique Cardoso
O fio condutor desta seleção que reúne 35 anos de reflexões sobre o Brasil é o vigoroso diálogo mantido por Fernando Henrique Cardoso com nossos principais intérpretes. De Euclides da Cunha a Celso Furtado, de Joaquim Nabuco a Caio Prado Jr., o sociólogo e professor emérito da USP apresenta nestes textos — escritos dos anos 1970 até a atualidade, sendo três inéditos e todos revisitados pelo autor — um olhar original e crítico sobre o país, tendo como guia a leitura desses mestres.

E nós cobrimos seus olhos, de Alaa Al Aswany (Trad. Safa A-C Jubran)
Issam Abdulâti, o jovem protagonista e também narrador da novela que abre esta coletânea, pergunta-se sobre as qualidades de seus conterrâneos para em seguida negá-las com veemência: “Eu desafio qualquer pessoa a mencionar uma única virtude egípcia!”. O ponto de vista interno e desafiador, que aponta para os vícios e as idiossincrasias dos personagens, rendeu dificuldades de publicação. Vetada pela Organização Geral Egípcia do Livro, a novela teve uma primeira edição feita pelo próprio Alaa Al Aswany. Autor do aclamado romance O Edifício Yacubian, Aswany explora aqui a força do conto e da novela, formas incisivas e capazes de desconcertar os leitores mais precavidos. Neste E nós cobrimos seus olhos, empatia e mordacidade andam juntas e conferem ao Egito e aos egípcios um retrato caloroso e crítico, revelando ambiguidades e contradições de uma sociedade e de uma literatura impetuosa, que não se deixa domesticar.

Jazz & Co., de Vinicius de Moraes
Diplomata a ocupar seu primeiro posto no exterior (como vice-cônsul), Vinicius de Moraes desembarcou em Los Angeles, na Califórnia, em 1946, e ali passaria os cinco anos seguintes. Foi um período em que, além de conviver com a colônia artística brasileira radicada em Hollywood — em cujo centro gravitacional brilhava Carmem Miranda — e com grandes nomes do cinema americano como Orson Welles, Vinicius começou a se embrenhar em um novo universo musical: o jazz. Fascinado pela sofrida história dos negros americanos e mesmerizado pela variedade de ritmos presentes na música que emergiu do cruzamento entre a cultura dos escravos e a dos colonizadores europeus, o futuro compositor da bossa nova frequentou clubes, estúdios de gravação, lojas de disco especializadas. E, é claro, fez camaradagem com dezenas de músicos, compositores e amantes desse gênero musical. Nestes artigos publicados em revistas independentes como Flan e Sombra, além de textos em prosa e poesia (muitos deles inéditos até esta edição), um dos pais da bossa nova exibe fôlego de viajante aprendiz para colonizar o gosto brasileiro para o jazz. Com o projeto gráfico que retoma a linguagem da era de ouro dos álbuns do gênero (de selos como Blue Note e outros), Jazz & Co. celebre o legado de Vinicius de Moraes com tudo aquilo que distinguiu o autor: música, literatura e um bocado de beleza.

Um solitário à espreita, de Milton Hatoum
Além de ser um dos grandes nomes do romance brasileiro contemporâneo, o amazonense Milton Hatoum também é cronista de mão cheia, espraiando seu texto leve e inteligente por diversas publicações. É o caso das crônicas selecionadas para este volume: noventa e seis amostras do texto sensível e arguto do autor de Relato de um certo Oriente. Dividido em quatro seções que dão conta de temas como língua e literatura, a realidade, a memória e os afetos, além de pequenas fabulações, Um solitário à espreita traz para a forma da crônica, este gênero praticado por alguns dos melhores autores brasileiros, a visão de mundo e as opiniões de Milton Hatoum. O futuro da literatura, a dureza dos anos vividos sob o regime militar, a realidade cambiante das nossas grandes cidades — tudo isso vem embalado numa prosa tão apurada quanto especulativa, tão sagaz quanto calorosa. Um passeio delicioso, em suma, conduzido por um de nossos escritores mais representativos.

Pulphead, de John Jeremiah Sullivan (Trad. Chico Mattoso e Daniel Pellizzari)
Ao lado de Tom Wolfe e David Foster Wallace, John Jeremiah Sullivan é considerado um dos renovadores da prosa de não ficção americana. Seus ensaios unem a curiosidade sem limites e a apuração rigorosa — traços definidores dos melhores repórteres — a uma atenção ao detalhe, ao gosto pelo inusitado e a uma prosa fluente digna dos melhores ficcionistas. Os temas percorridos são tão distintos como rock’n'roll e botânica, reality shows e literatura, mas a forma com que se aproxima deles revela sempre engenho e imprevisibilidade. Como as listras na capa deste volume — que precisam ser raspadas para revelar o que há por baixo —, estes textos, lúdicos e surpreendentes, pedem decifração.

Breve Companhia

Choque de democracia, de Marcos Nobre
Junho de 2013. A data já entrou para a história. Assim como 1992 marca o impeachment de Fernando Collor e 1984 o movimento pelas eleições Diretas, 2013 já está identificado com o maior levante popular no Brasil desde a redemocratização — e talvez de toda a história do país. No calor dos acontecimentos, que ainda se fazem sentir por todos os cantos, uma série de análises tem surgido nos jornais, na televisão, nas redes sociais. Nenhuma, contudo, com a abrangência que se vê em Choque de Democracia – Razões da Revolta, de Marcos Nobre. Este é o primeiro trabalho a olhar em profundidade para o fenômeno e associá-lo à narrativa da história brasileira desde o fim do Regime Militar. Um dos principais observadores da conjuntura brasileira, Nobre atribui a revolta popular a um impasse em curso desde o fim dos anos 1970. Os protestos, segundo ele, são uma resposta à cultura política do “pemedebismo”, definido como uma blindagem do sistema político que represa as forças de transformação. Em nome da “governabilidade”, foi se criando no país um ambiente em que não existem situação e oposição, mas uma massa homogênea, amorfa e indistinta que fecha todos os canais possíveis de representação. As revoltas de 2013 são uma oportunidade de alterar esse cenário. Com didatismo, capacidade de síntese notável e densidade teórica, este ensaio traz uma contribuição decisiva para o debate sobre os rumos da democracia brasileira. Marcos Nobre é professor de Filosofia no IFCH-Unicamp e pesquisador do Cebrap. É autor de Dialética Negativa (Iluminuras, 1998) e Teoria Crítica (Zahar, 2004), entre outros livros.  ”Choque de democracia” inaugura o selo Breve Companhia e está disponível na Amazon, iBookstore, Kobo/Cultura e Saraiva.
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