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domingo, 3 de janeiro de 2016

A benevolência do explorador: sobre o aumento do salário mínimo...




Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo

Vamos aos fatos. O país está em uma crise gigante. O aumento do salário mínimo não será suficiente para repor as perdas inflacionárias apontadas pelo governo, imaginem, então, as perdas que nós sentimos diariamente no bolso. Sim, pois se a inflação oficial é de “apenas” 1,18 segundo o IBGE em dezembro e índice acumulado de 11,14 no ano. Concorda com isso? Pergunte ao seu bolso se isso é real, pois os aumentos de luz, água, gás, alimentação, remédios, transporte e outros itens fundamentais não indicam isso.

O botijão de 13 quilos sofreu aumento de 15% em agosto, mas teve de outubro de 2014 a outubro de 2015 um acúmulo de 21%. Os aumentos na conta de luz somam mais de 50%. O fornecimento de água ultrapassou os 15%. Os transportes públicos sofreram variações em torno de 25%, conforme o Estado. Então, para suprir tais agruras, o Governo Federal concede o misericordioso aumento do salário mínimo de 11,6%. Digam-me sinceramente, quem vive com R$ 880,00? Sobreviver com essa quantia é uma realidade de quase 40 milhões de brasileiros. Sobreviver. Viver, ter direito ao lazer, acesso à cultura, alimentação digna, vestuário, transporte, estudo dos filhos... não, não é possível fazer 5% do que citei com essa quantia irrisória. Mas reparem que eu não lancei o pagamento de IPTU, IPVA e outros impostos cuja destinação final nós não veremos. E como não citar os que moram através de aluguel? 

Hoje, dia 03 de janeiro, já recebemos ótimas notícias através da mídia. Ônibus e táxis aumentarão hoje, no Rio de Janeiro e em Salvador. As tributações sobre smartphones, tablets, notebooks e bebidas alcoólicas aumentaram. 

Então, me digam: qual a benevolência em receber um aumento no salário mínimo se, invariavelmente, tudo aumenta para acompanhar e repassar o benefício que o trabalhador recebeu? A verdade, gostem ou não, é que vivemos diante de um governo que paga o preço de anos de política populista. As bolsas, os vales, o pagamento de universidades e cursos às custas dos cofres públicos acabaram por ruir. Seria magnífico que o governo pudesse arcar com todos esses benefícios, mas existe muita coisa por trás dessa política de "mãe para filho". O que enxergo claramente é uma política que foi muito bem usada para manter o poder nas mãos de um mesmo grupo. Entretanto, esse grupo não planejou a longo prazo, não estava preparado para uma crise econômica e, pior, não mensurou os estragos que os roubos de seus próprios partidários fariam aos cofres públicos. 

Caso você seja um dos que está contente com esse "aumento" vertiginoso no salário mínimo, relembro e peço que veja o quanto perderá só com os novos aumentos, impostos e taxas que vigoram ou vigorarão a partir de janeiro. 

Não se deixe enganar. Enquanto suas bandeiras são agitadas por causa de alguns reais, deputados, senadores e todo tipo de político recebem aumentos desrespeitosos à maioria assalariada brasileira. Como se isso não bastasse, só para enfatizar, o deputado federal Edinho Bez recebeu 6.561 reais para participar de Visitas técnicas aos portos da Cidade do Panamá e Colón (Panamá), Limón e Puntarenas (Costa Rica) em janeiro de 2015. Passagens de avião por conta do contribuinte, devo acrescentar. O relatório dessa produtiva viagem - que poucos brasileiros tomaram ciência - está neste link: Relatório missão oficial. Óbvio que tais viagens não foram exclusividade do citado deputado...

Sendo assim, finalizo este texto com uma breve comparação: hoje, no Brasil, pagamos tributos abusivos, mal empregados e duvidosos para encobrir a ingerência, os desvios de verbas e uma gama de investimentos escusos em outros países. Tal como na lenda de Robin Hood, nossos impostos financiam uma corja de ladrões, uma quadrilha formada por políticos, empresários, banqueiros e pessoas com poder político ou financeiro. O único porém é que, até o momento, não temos um Robin Hood para minimizar os estragos.

Mas, tudo bem. Pelo menos o salário mínimo aumentou, não? 

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